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Partido de Merz busca restringir trabalho de meio período na Alemanha

'Quem pode trabalhar mais deve trabalhar mais', diz líder da ala empresarial da CDU

Por Flávio Monteiro 26 jan 2026, 15h50 •
  • A ala empresarial do principal partido da Alemanha, a União Democrata Cristã (CDU, na sigla em alemão), pretende apresentar uma proposta que restringe o trabalho de meio período no país. De acordo com informações divulgadas pela revista alemã Stern neste domingo, 25, a sigla do chanceler Friedrich Merz deve aprovar uma moção sobre o tema durante a conferência geral do partido no próximo mês. Os defensores da medida argumentam ser necessária a obtenção de uma permissão especial para trabalhar em uma escala de horas reduzida.

    “Quem pode trabalhar mais deve trabalhar mais”, afirmou a líder da ala empresarial da CDU, Gitta Connemann, em entrevista à Stern. As declarações de Connemann expõem o ponto de vista do grupo que representa as pequenas e médias empresas da Alemanha, que defendem que ninguém tem o direito de manter um “lifestyle de trabalho de meio período”, uma vez que a economia do país sofre com a falta de trabalhadores qualificados.

    Uma vez aprovada, a medida se tornará uma política oficial da CDU, coincidindo com declarações recentes de Merz a respeito do trabalho na Alemanha. Em meio à pressão para promover mudanças que impulsionem o crescimento econômico do país, o chanceler disse aos eleitores que a prosperidade alemã não será mantida “com uma semana de quatro dias e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal”.

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    Atualmente, todos os funcionários da maior economia da Europa têm o direito de realizar trabalhos de meio período. Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa em Emprego da Alemanha apontam que a taxa de empregos de meio período aumentou para mais de 40% no terceiro trimestre de 2025. O número é expressivo, principalmente na comparação com os 24% registrados pelo Reino Unido e os 18% na França.

    Cerca de 76% dos trabalhadores de meio período na Alemanha são mulheres, que normalmente precisam atuar com carga horária reduzida por motivos relacionados ao cuidado de crianças ou familiares idosos. Em 2025, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou que a economia do país sofreu devido à falta de integração de mulheres e idosos ao mercado de trabalho.

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    A moção que será apresentada pela CDU prevê a isenção para trabalhadores que tenham filhos, cuidam de parentes ou buscam desenvolvimento profissional por meio de treinamento. Aqueles que não se encaixarem em uma dessas categorias seriam proibidos de atuar nessa modalidade de trabalho.

    No entanto, a medida recebe críticas dentro do próprio partido, com o líder da ala social da CDU, Dennis Radtke, afirmando que esse tipo de restrição era visto como uma armadilha por muitos. Radke aponta que é comum ver empregadores se tornarem inflexíveis em relação à jornada e trabalhadores recebendo menos e enfrentando restrições no desenvolvimento da carreira.

    “Tal restrição é equivalente a colocar a carroça na frente dos bois”, disse Radtke ao grupo de mídia Funke. O político, que atua como parlamentar europeu desde 2017, defendeu ser necessário melhorar o cuidado infantil e de idosos para criar as condições necessárias para que aqueles que desejam trabalhar possam fazê-lo. Segundo ele, a medida proposta pela ala empresarial interfere na decisão familiar sobre o nível de cuidado familiar e até quando ele é necessário.

    O poderoso sindicato dos metalúrgicos da Alemanha, o IG Metall, também se posicionou contra a proposta. “O problema não é a falta de disposição ou desempenho, mas condições inadequadas” para aqueles que não podem trabalhar em tempo integral, disse a líder do sindicato, Christiane Benner.

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