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Parabéns, Bolívia

Em apenas dois dias, o país fez o que, durante anos a fio, México, França e Brasil não conseguiram fazer: prender e despachar Cesare Battisti para a Itália

Por Felipe Carneiro - 18 jan 2019, 07h00

Cesare Battisti, o criminoso de 64 anos, está neste momento na prisão de Oristano, na Sardenha, Itália. Passaram-se quase 38 anos até que as linhas acima pudessem ser escritas. Em 1981, quando cumpria pena de doze anos por assalto, receptação de armas e participação num grupo armado de esquerda, Battisti fugiu da prisão e viveu os anos seguintes entre México e França. Enquanto esteve foragido nesses países, ganhou uma nova condenação em sua terra natal. Dessa vez, prisão perpétua pelo assassinato de quatro pessoas: um açougueiro, um motorista, um agente penitenciário e um joalheiro. Em 2004, quando uma decisão judicial na França autorizou sua extradição para a Itália, o criminoso fugiu de novo. Desembarcou no Brasil, onde o governo de Lula lhe deu o indevido status de “perseguido político” — e o assunto ganhou a ribalta do debate nacional. Na campanha presidencial, Jair Bolsonaro prometeu “acabar com o bem-bom” de Battisti, mas foi duplamente atropelado. Primeiro: em dezembro, o Supremo Tribunal Federal revogou a decisão que autorizava a permanência do italiano no Brasil e o então presidente Michel Temer autorizou sua extradição imediata. Segundo: Battisti fugiu de novo e vinha despistando os agentes da Polícia Federal. Até que decidiu ir para a Bolívia, onde, 48 horas depois de sua chegada, policiais locais o flagraram nas ruas de Santa Cruz de la Sierra, o prenderam e despacharam para a Itália a bordo de um Falcon 900 da Força Aérea Italiana. Quem diria: em dois dias, a Bolívia fez o que, durante anos a fio, México, França e Brasil não conseguiram fazer. Parabéns, Bolívia.

Publicado em VEJA de 23 de janeiro de 2019, edição nº 2618

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