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Para sempre no fundo do mar

Após longo período desaparecido, o submarino argentino ARA San Juan foi finalmente localizado no sábado 17

Por Fernando Molica - 23 nov 2018, 07h00

“Encontramos!” Foi essa a exclamação, envolta em alívio, que Luis Tagliapietra mandou via WhatsApp a parentes e amigos depois que o submarino argentino ARA San Juan foi localizado nas profundezas do Oceano Atlântico, na madrugada do sábado 17. Ele estava no navio que ao longo de setenta dias vasculhou o fundo do mar em busca do San Juan, desaparecido durante uma missão da Marinha argentina havia um ano, com 44 pessoas a bordo — inclusive seu filho, um oficial de 27 anos. Segundo as investigações, o naufrágio, a 500 quilômetros do litoral, ocorreu depois de uma implosão gerada por pelo menos um vazamento. A água do mar teria entrado em contato com baterias situadas na proa. O longo período em que o submarino ficou sumido levou familiares a pressionar o governo da Argentina a se mexer e acionar alguma empresa estrangeira para localizar o que restou. Contratada uma companhia americana, veículos submarinos autônomos não tripulados, os AUVs, e suas câmeras fizeram ressurgir enfim as imagens do San Juan, perdido a 907 metros de profundidade. Após momentos de euforia, porém, veio a desalentadora realidade. Mesmo que parentes das vítimas insistam no resgate, é praticamente impossível efetuá-lo: o peso original do submarino multiplicou-se por quase dez, o custo de retirá-lo de lá cravaria 4 bilhões de dólares e a chance de recuperar os corpos é baixíssima. Tagliapietra resignou-se: “Meu filho não está mais lá. Além disso, era um marinheiro, amava o mar. É o lugar que ele teria escolhido para descansar”.

Publicado em VEJA de 28 de novembro de 2018, edição nº 2610

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