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Paquistão declara guerra aberta ao Afeganistão: ‘Paciência esgotou’

Troca de ataques aéreos e confrontos terrestres marcam maior ruptura desde cessar-fogo mediado por Catar e Turquia

Por Ernesto Neves 27 fev 2026, 08h36 • Atualizado em 27 fev 2026, 09h16
  • O governo do Paquistão declarou “guerra aberta” contra o Afeganistão após uma série de bombardeios e confrontos ao longo da fronteira entre os dois países, elevando a tensão regional ao nível mais alto desde o retorno do Talibã ao poder, em 2021.

    A ofensiva paquistanesa, batizada de Operação Ghazab lil-Haq, incluiu ataques aéreos contra alvos em Cabul e nas províncias de Kandahar e Paktia.

    Segundo Islamabad, a ação foi resposta a disparos “não provocados” vindos do outro lado da chamada Linha Durand, fronteira de 2.600 km historicamente contestada.

    “Agora é guerra aberta entre nós”, afirmou o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Mohammad Asif, em mensagem nas redes sociais.

    O governo do Talibã confirmou combates e declarou ter lançado operações ofensivas contra bases militares paquistanesas ao longo da fronteira. Autoridades afegãs também afirmaram ter usado drones contra posições do Paquistão, informação negada por Islamabad, que diz ter interceptado os equipamentos.

    Mortes e versões conflitantes

    Os números de vítimas divergem de forma significativa.

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    O ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, declarou que 133 combatentes afegãos morreram e mais de 200 ficaram feridos, enquanto dois soldados paquistaneses teriam sido mortos.

    Já Cabul afirma que 55 militares do Paquistão morreram, além da captura de soldados, versão rejeitada por Islamabad.

    O Talibã diz ter perdido oito combatentes e relata ao menos 13 civis feridos após um suposto bombardeio a um campo de refugiados na província de Nangarhar.

    Agências independentes não conseguiram verificar os números.

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    TTP no centro da crise

    O pano de fundo da escalada envolve o Tehreek-e-Taliban Pakistan, conhecido como TTP ou Talibã paquistanês.

    O grupo, aliado ideológico do Talibã afegão, busca derrubar o governo do Paquistão e intensificou ataques contra as forças de segurança nos últimos meses.

    Islamabad acusa Cabul de abrigar militantes do TTP que atravessam a fronteira para cometer atentados. O governo afegão nega.

    Analistas avaliam que a atual ofensiva representa a primeira vez que o Paquistão atinge diretamente alvos associados ao governo talibã em grandes centros urbanos, e não apenas posições suspeitas do TTP em áreas remotas.

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    Fim do cessar-fogo

    A escalada ocorre após o colapso de um cessar-fogo mediado por Catar e Turquia em outubro, que havia interrompido confrontos mortais. Rodadas de negociação posteriores fracassaram.

    Desde 2021, as relações entre os dois países oscilaram entre diplomacia cautelosa e hostilidade aberta. A fronteira permanece um dos pontos mais voláteis da Ásia Central, marcada por disputas históricas e por fluxos de refugiados e insurgentes.

    Pressão internacional

    A comunidade internacional reagiu com apelos por contenção. A Rússia, que mantém canais abertos com Cabul, pediu retorno imediato ao diálogo.

    A China, principal aliada do Paquistão na região, afirmou estar mediando conversas e defendeu cessar-fogo “o mais rápido possível”. A Arábia Saudita também iniciou contatos diplomáticos.

    O alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Türk, manifestou preocupação com o aumento de vítimas civis e pediu “diálogo político urgente”.

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