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Panela de (alta) pressão: o espetáculo de intimidação de Trump contra Maduro

Deposição, expulsão, humilhação e prisão são as rimas com as quais Maduro está tendo que conviver neste seu 'annus horribilis'

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 dez 2025, 06h00 • Atualizado em 24 dez 2025, 09h45
  • O Mar do Caribe voltou mais de um século no tempo este ano, com a presença de uma frota naval de altíssimo poder de fogo despachada por uma grande potência para assombrar e, em última instância, depor o líder de outro país — prática do século XIX que ganhou o nome de “diplomacia das canhoneiras”. Nesta versão, são os Estados Unidos que mantêm nas águas turquesas logo acima do continente seu maior porta-aviões, diversos outros barcos de guerra e 15 000 soldados encarregados de atirar para matar contra barcos supostamente carregados de drogas — o que têm feito com chocante frequência — para, na explicação oficial, combater o narcotráfico internacional e seu grande chefe, Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, contra quem Donald Trump já pronunciou nada veladas ameaças de deposição à força. Há doze anos no poder, Maduro convocou militares e milícias civis para a defesa e esperneia, com gestos grandiosos e apelos em inglês macarrônico, para convencer Trump a encerrar a operação caribenha — que, ampliada, também passou a apreender petroleiros transportando o produto vital para a sobrevivência econômica da Venezuela.

    Está em jogo, nesse espetáculo de intimidação (que inclui a autorização de ações da CIA em território venezuelano), a intenção da Casa Branca de cravar sua marca — ou sua proteção, no jargão oficial — no “nosso hemisfério”, como proclamou o secretário da Defesa, Pete Hegseth. Fortalece essa intenção a atraente possibilidade de empresas americanas voltarem a explorar as imensas reservas de petróleo venezuelano no caso de afastamento de Maduro, déspota da ala esquerdista que permaneceu no cargo mesmo tendo perdido a eleição no ano passado e que trata a ferro e fogo qualquer sopro de oposição. Para mal de seus pecados, a maior líder oposicionista do país, María Corina Machado, ganhou o Nobel da Paz de 2025 e, de surpresa, reapareceu em Oslo apoiando plenamente as ações americanas no Caribe, depois de viver um ano escondida em seu país. Deposição, expulsão, humilhação e prisão são as rimas com as quais Maduro, cantor nas horas vagas, está tendo que conviver neste seu annus horribilis.

    Publicado em VEJA de 24 de dezembro de 2025, edição nº 2976

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