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Países reagem à decisão da Suprema Corte dos EUA que derruba tarifaço de Trump

Decisão estabelece que presidente extrapolou autoridade ao impor sobretaxas sem aval do Congresso; governos e empresas cobram previsibilidade

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 fev 2026, 15h40 • Atualizado em 20 fev 2026, 16h13
  • A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de anular boa parte das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump desencadeou reações imediatas de governos e entidades empresariais nesta sexta-feira, 20. Por 6 votos a 3, os juízes mantiveram o entendimento de uma instância inferior de que o republicano excedeu sua autoridade ao invocar uma lei de 1977 para aplicar taxas amplas sem autorização expressa do Congresso.

    + Suprema Corte dos EUA decide que tarifaço de Trump é ilegal

    O parecer foi redigido pelo presidente da Corte, John Roberts, que afirmou ser necessária uma autorização clara do Legislativo para sustentar medidas dessa magnitude. A decisão impõe limites ao uso unilateral de instrumentos tarifários pelo Executivo e pode ter impacto direto sobre parceiros comerciais atingidos pelas sobretaxas.

    Brasil

    O governo brasileiro reagiu com contenção à decisão. A postura cautelosa surpreende, dado que o Brasil foi um dos países mais afetados pela medida, com sobretaxas de até 50% sobre parte de suas exportações.

    “Em princípio, é uma boa notícia”, afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, frase que sintetiza o alívio inicial, mas também a prudência diante das incertezas sobre os efeitos práticos da decisão. Isso porquenão está claro como, e com que velocidade, ela será implementada. No comércio internacional, vitórias jurídicas raramente produzem efeitos automáticos: podem surgir disputas administrativas, pedidos de modulação dos efeitos ou mesmo tentativas de reinterpretação por parte do Executivo americano, prolongando a incerteza.

    União Europeia

     

    Na União Europeia, a reação foi cautelosa. Um porta-voz afirmou à Reuters que o bloco analisa “cuidadosamente” o teor do julgamento e mantém contato com o governo americano para esclarecer quais serão os próximos passos. A prioridade, segundo ele, é preservar estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais transatlânticas.

    Reino Unido

    O governo do Reino Unido declarou esperar que sua posição comercial privilegiada junto aos EUA seja mantida. Em nota, ressaltou que continuará dialogando com Washington para avaliar os impactos sobre exportadores britânicos.

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    A Câmara de Comércio Britânica avaliou que a decisão pouco reduz a incerteza enfrentada pelas empresas e reiterou que a meta deve ser a redução de tarifas e a consolidação de acordos que garantam competitividade ao comércio bilateral.

    Suíça

    Na Suíça, o Conselho Federal informou que examinará os efeitos concretos da decisão sobre o comércio com os Estados Unidos.

    A Swissmem, entidade que representa a indústria tecnológica suíça, avaliou que o julgamento fortalece o Estado de Direito, mas alertou em declaração à Reuters que a administração americana pode recorrer a outros dispositivos legais para sustentar medidas semelhantes.

    Já a Scienceindustries afirmou que regras estáveis e previsíveis são essenciais para cadeias globais altamente integradas. O diretor da entidade, Stephan Mumenthaler, disse à Reuters que a decisão envia um sinal importante em favor da confiabilidade no comércio internacional.

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    Alemanha

    Na Alemanha, a associação empresarial DIHK destacou que o governo americano dispõe de outros mecanismos legais para impor restrições comerciais e defendeu que a União Europeia responda com serenidade, preservando um ambiente confiável para os negócios.

    Em linha semelhante, a VCI, que representa a indústria química alemã, afirmou em comunicado que a turbulência na política comercial dos EUA pode apenas mudar de forma, sem necessariamente desaparecer.

    Canadá

    O Canadá declarou que o entendimento da Suprema Corte reforça a avaliação de que as tarifas impostas por Trump eram “injustificadas”. O país vinha sendo atingido por taxas de 35% sobre determinados produtos — embora boa parte das mercadorias esteja isenta sob o acordo de livre comércio entre EUA, Canadá e México (USMCA) —, além de sobretaxas de 50% sobre metais e de 25% sobre automóveis fabricados fora dos Estados Unidos.

    Nos Estados Unidos, companhias monitoram os desdobramentos jurídicos, especialmente diante da possibilidade de reembolsos de valores pagos. A DHL informou que acompanha de perto a situação e que poderá auxiliar clientes em eventuais pedidos de restituição, caso haja revisão formal das cobranças.

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