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Países prometem retaliação a tarifas sobre aço e alumínio dos EUA

União Europeia, Canadá, Austrália e outros aliados consideram injustas as tarifas sobre importação de aço e alumínio e temem uma guerra comercial global

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira que o país deve formalizar na próxima semana a imposição de tarifas de importação de 25% sobre o aço e de 10% sobre alumínio, causando profundas irritações em importantes aliados. Diversos países, entre eles, Austrália, Canadá e membros da União Europeia anunciaram uma retaliação caso o presidente siga com esse plano.

A justificativa de Trump foi de que os Estados Unidos têm sofrido uma competição desleal dos outros países há décadas e sua intenção agora é impulsionar as indústrias nacionais. Em reunião com representantes da indústria dos Estados Unidos na Casa Branca, Trump prometeu reconstruir os setores de siderurgia e alumínio do país.

Falando em Singapura, a comissária de Comércio da União Europeia, Cecilia Malmstrom, ressaltou que qualquer ação que atinja a Europa seria “profundamente injusta”. “Estamos discutindo diferentes medidas. Tudo, desde levar o caso à OMC (Organização Mundial do Comércio), sozinho ou com outros parceiros também afetados, além de medidas de proteção e possível retaliação”, disse Malmstrom.

“Essas são coisas que estamos discutindo internamente na Comissão e nos nossos Estados-membros. Mas, obviamente, nada será anunciado até que possamos conhecer a extensão das medidas.”

“Nós não nos sentaremos de forma ociosa enquanto nossa indústria é atingida com medidas injustas que colocam em risco milhares de empregos europeus”, disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em comunicado.

O Canadá afirmou que qualquer restrição à importação de aço e alumínio canadense será inaceitável. “Se as restrições forem impostas aos produtos canadenses de aço e alumínio, o Canadá tomará medidas sensíveis para defender seus interesses comerciais e trabalhadores”, disse a ministra canadense das Relações Exteriores, Chrystia Freeland, em comunicado.

Mais cedo nesta sexta-feira, o ministro do Comércio da Austrália disse que as tarifas planejadas podem levar à retaliação por parte de outras economias e à perda de empregos, enquanto a China previu prejuízos para o comércio caso outros países sigam o exemplo dos Estados Unidos.

Temores de uma guerra comercial atingiram os mercados da Ásia, principalmente o preço das ações de siderúrgicas e de fornecedores para o mercado norte-americano.

“Guerras comerciais são boas”

Nesta sexta-feira, Donald Trump tuitou que “guerras comerciais são boas, e fáceis de ganhar”.

“Quando um país (EUA) está perdendo vários bilhões de dólares em comércio com praticamente todos os países com que faz negócios, guerras comerciais são boas, e fáceis de ganhar”, escreveu. “Por exemplo, quando estamos perdendo 100 bilhões de dólares com um determinado país e eles decidem não fazer mais negócio, nós ganhamos muito. É fácil!”.

Temores de uma guerra comercial global pressionaram os mercados acionários em Wall Street, na Ásia e na Europa, afetando principalmente as ações de siderúrgicas e indústrias que fornecem para o mercado norte-americano.

Trump acredita que as tarifas irão proteger empregos norte-americanos, mas muitos economistas dizem que o impacto de alta dos preços para os compradores de aço e alumínio, como as indústrias de petróleo e veículos, irão destruir mais empregos do que as tarifas em importação irão criar.

(Com Reuters)

Comentários

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  1. Paulo Bandarra

    Já o Brasil quer apenas uma brecha, um jeitinho americano para ficar de fora. Está de pires na mão.

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