Otan anuncia operação militar no Ártico após crise com Trump e provoca reação da Rússia
Missão 'Arctic Sentry' vem semanas após tensões provocadas por ameaça de anexação da Groenlândia; Moscou fala em tomar 'medidas militares' em resposta
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciou nesta quarta-feira, 11, o lançamento de uma missão militar para fortalecer sua presença no Ártico. Denominada Arctic Sentry (Sentinela do Ártico, em tradução livre), a iniciativa coordenará um efetivo constante de tropas nos territórios da região, incluindo a Groenlândia, território dinamarquês desejado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Pela primeira vez, vamos reunir tudo o que fazemos no Ártico sob um único comando. Ao fazer isso, não só vamos aproveitar o que estamos fazendo de forma muito mais eficaz, como também poderemos avaliar quais lacunas existem e quais precisamos preencher”, explicou o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, a repórteres.
Inicialmente, a missão irá reunir atividades já planejadas por países-membros com territórios na região, como o Arctic Endurance da Dinamarca e o Cold Response da Noruega. Em declaração ao portal EuroNews, um oficial da Otan afirmou que a nova iniciativa é uma demonstração de como a aliança vem tentando “se antecipar” a possíveis ameaças — notadamente de Rússia e China.
A operação começou a ser planejada pela Otan em janeiro, logo após uma conversa entre Trump e Rutte no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Na época, a crise da Groenlândia estava em seu auge, e o americano insistia que Washington necessitava do território ártico para fins de segurança nacional, apontando que sua localização estratégica era importante para detectar mísseis chineses e russos de longo alcance.
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Embora líderes ocidentais tenham apontado que os Estados Unidos já possuíam uma base militar na ilha e podiam estabelecer uma segunda devido a um acordo de 1951, Trump não recuava em suas ambições. No entanto, após o encontro com Rutte, o americano disse concordar que a Otan teria um papel mais amplo na segurança da região e declarou não pretender usar a força para tomar o território — algo que se recusava a dizer anteriormente.
A nova missão ficará sob a liderança do Comando de Forças Conjuntas da aliança em Norfolk, no estado americano da Virgínia. De acordo com o comandante supremo aliado da Otan na Europa, o general da Força Aérea Americana Alexus Grynkewich, a operação “ressalta o compromisso da Aliança de proteger seus membros e manter a estabilidade em uma das áreas mais estrategicamente significativas e ambientalmente desafiadoras do mundo”.
O anúncio da iniciativa gerou uma rápida resposta por parte da Rússia, nação comumente citada por Trump como uma ameaça à região. De acordo com o ministro das Relações Exteriores do país, Sergey Lavrov, Moscou responderá a qualquer reforço militar ocidental na região com “medidas militares”.






