Os possíveis sucessores em caso de morte do líder supremo do Irã, segundo avaliação dos EUA
Segundo autoridades israelenses, ataques deste sábado miraram Ali Khamenei e figuras do alto escalão iraniano
Antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, neste sábado, 28, a Agência Central de Inteligência americana, a CIA, fez avaliações sobre os possíveis sucessores em caso de morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. As análises também tentaram entender até que ponto uma operação militar poderia desencadear uma mudança de regime no país — agora objetivo declarado do presidente Donald Trump.
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Segundo fontes da agência ouvidas pela agência de notícias Reuters, Khamenei, de 86 anos, provavelmente seria substituído por figuras linha-dura da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), força militar de elite cujo objetivo é proteger o regime clerical.
No ano passado, durante a curta guerra entre EUA, Israel e Irã, um comitê do alto órgão clerical iraniano, nomeado pelo próprio Khamenei, havia acelerado planejamentos de sucessão, diante de ameaças sobre a possibilidade de assassinar o líder iraniano.
A ideia é que o poder governante tente imediatamente nomear um sucessor para Khamenei se ele for morto, para sinalizar estabilidade e continuidade. Na época, dois favoritos surgiram nas discussões sobre sucessão: o filho de 56 anos de Khamenei, Mojtaba, é visto como uma escolha de continuidade; a outra possibilidade seria Hassan Khomeini, neto de Ruhollah Musavi Khomeini, que governou o Irã desde a deposição do xá Reza Pahlavi, na Revolução de 1979, até sua morte, em 1989.
Embora Khomeini seja ligado a um grupo mais reformista, que defende o afrouxamento das restrições sociais e políticas, ele também tem respeito entre clérigos do alto escalão e a Guarda Revolucionária.
Segundo a televisão estatal israelense KAN, citando autoridades do governo de Israel, os ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã tiveram como alvos o líder supremo iraniano e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
Os ataques também teriam mirado outras figuras importantes do regime, incluindo o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Sayyid Abdolrahim Mousavi, o secretário do recém-criado Conselho de Defesa do Irã, Ali Shamkhani, e o secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani.
Uma fonte com conhecimento do assunto disse anteriormente à agência de notícias Reuters que Khamenei não estava em Teerã e havia sido transferido para um local seguro. A mídia iraniana também noticiou que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, está em segurança.
O ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou à NBC News neste sábado, 28, que Khamenei está vivo “até onde sei”.
“Todos os funcionários de alto escalão estão vivos”, afirmou Araghchi. “Então, todos estão agora em sua posição, e estamos lidando com essa situação, e está tudo bem.” A fala, no entanto, contraria relatos de que o ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e um comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, foram mortos nos ataques.
Em resposta, o Irã lançou um ataque a instalações militares americanas no Bahrein, no Kuwait e no Catar. O regime também lançou mísseis e drones contra Israel. Ainda não há informações sobre possíveis danos.
Araghchi ainda afirmou que o Irã está retaliando com ataques a bases americanas no Oriente Médio, não em “americanos em seu próprio território”.
“As forças americanas estavam atacando nosso povo em nossas cidades, mas não é isso que faremos. Estamos atacando as bases americanas, as bases militares na região, e as instalações e infraestruturas militares, e isso é apenas um ato de autodefesa”, disse o chanceler iraniano. “Foram os EUA e Israel que começaram essa agressão. Portanto, não há limites para a nossa autodefesa, mas assim que a agressão cessar, também cessaremos a nossa autodefesa.”
O Ministério da Defesa do Catar afirmou que as Forças Armadas do país derrubaram vários mísseis antes que eles alcançassem seu espaço aéreo.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou a retaliação, afirmando que o país “não hesitará” em sua resposta. “Chegou a hora de defender a pátria e enfrentar o ataque militar do inimigo”, publicou o ministério em comunicado na rede social X. “Assim como estávamos preparados para negociações, estivemos ainda mais preparados para a defesa em todos os momentos. As forças armadas da República Islâmica do Irã responderão de forma decisiva aos agressores, com plena autoridade.”
Negociações fracassadas
O ataque deste sábado ocorre após o fracasso da última rodada de negociações entre EUA e Irã, vista como a possível última saída diplomática. Sobre o tema, Trump afirmou: “sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que esse regime terrorista jamais poderá ter uma arma nuclear”.
Em sequência, o presidente citou a guerra de junho de 2025, quando os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Israel e Irã.
Na quinta-feira, representantes dos dois países encerraram seis horas de negociações em Genebra sem avanço concreto sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano.
Em relatório reservado a seus 35 Estados-membros, a agência Internacional de Energia Atômica afirmou que o Irã estocou parte de seu urânio altamente enriquecido em uma área subterrânea do complexo nuclear de Isfahan, no centro do país. É a primeira vez que o órgão vinculado à ONU especifica o local onde o material com grau de pureza de até 60% estaria guardado. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de enriquecimento considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.
A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, que impunha limites rígidos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.
Ao mesmo tempo em que o campo diplomático encontrava dificuldades para avançar, os EUA seguiam acumulando poderio bélico ao redor do Irã. Na quarta-feira, 25, Washington enviou uma dúzia de caças F-22 para a região, que já contava com dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros e três embarcações de combate.
Ao todo, os EUA reuniram sua maior força militar no Oriente Médio desde a invasão ao Iraque, em 2003.





