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Os pontos mais espinhosos na negociação para o fim da guerra na Ucrânia

Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, deve se encontrar com Trump na Flórida neste domingo, 28, para discutir acordo de paz

Por Flávio Monteiro 26 dez 2025, 12h21 •
  • Em meio a um conflito que se estende desde fevereiro de 2022, Rússia e Ucrânia têm discutido condições para avançar em um possível acordo de paz que ponha fim à guerra. Na quarta-feira 24, o Kremlin disse ter recebido uma nova proposta formulada por Kiev em conjunto com os Estados Unidos, e pretende retornar com uma resposta em breve. No entanto, diversos pontos espinhosos surgem como obstáculos para o encerramento das hostilidades.

    O presidente russo, Vladimir Putin, tem sido intransigente, afirmando diversas vezes que não está disposto a firmar um pacto que não atenda suas exigências. Entre elas estão garantias de que Kiev não irá se tornar membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan); a anexação efetiva de território dominado por forças russas e até áreas que ainda não conquistou (nominalmente, a região inteira do Donbass); e a realização de novas eleições ucranianas.

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    No próximo domingo, 28, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, deverá se encontrar com seu homólogo americano, Donald Trump, para dar prosseguimento às discussões envolvendo um acordo de paz. O mandatário anunciou a reunião nesta sexta-feira, 26, e adiantou que planeja discutir com o chefe da Casa Branca -pontos que garantam a segurança de seu país no futuro.

    Entenda os pontos mais espinhosos das negociações:

    Divisão territorial

    Atualmente, a Rússia controla quase 20% do território ucraniano, incluindo 90% do Donbass, 75% das regiões de Zaporizhzhia e Kherson, pequenas porções de Kharkiv, Sumy, Mykolaiv e Dnipropetrovsk, e 100% da península da Crimeia, anexada por Moscou em 2014.

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    Embora tenha mantido a cessão de territórios como uma das condições para a paz, Putin teria dito a empresários russos estar disposto a realizar “trocas territoriais” para encerrar o conflito. Segundo o jornal russo Kommersant, a proposta envolveria o controle integral do Donbass pelo Kremlin, em troca da devolução de algumas áreas atualmente ocupadas pelas forças russas.

    Na quarta, Zelensky pediu um “encontro de líderes” para solucionar a questão territorial, que definiu como o tema mais complexo das negociações, e vem resistindo à possibilidade de dar terras a Moscou. Ainda assim, a nova proposta firmada entre Washington e Kiev abre caminho para a criação de “zonas desmilitarizadas” — onde não haveria controle por parte de nenhum dos dois exércitos — ainda que o tema tenha que ser alvo de referendos na Ucrânia.

    Consultas populares já haviam sido citadas anteriormente por Zelensky como uma necessidade antes de qualquer cessão de territórios . “A resposta deve vir do povo da Ucrânia, seja por eleição ou referendo”, disse ele no início de dezembro.

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    Garantias de segurança

    Com receio de futuras ofensivas russas, Kiev exige garantias de segurança como um ponto-chave de qualquer acordo de paz com Moscou. Uma vez que Putin veta a adesão da Ucrânia à Otan, Zelensky vem buscando alternativas para fornecer o resguardo necessário aos ucranianos.

    O novo plano de paz formulado por Estados Unidos e Ucrânia prevê um acordo junto entre Washington e países europeus que “espelhe” o artigo 5 da Otan, que prevê autodefesa mútua em caso de agressão a um dos membros. No planejamento está previsto que, se houver uma nova invasão russa, uma resposta militar será desencadeada, assim como a volta das sanções contra Moscou.

    Mas não há muitos detalhes do projeto.

    Anteriormente, em 15 de dezembro, representantes de nações europeias — incluindo França, Reino Unido e Alemanha — disseram estar prontos para comandar uma força multinacional na Ucrânia como parte de um pacote de garantias de segurança, apresentado a Zelensky.

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    Pelos termos em debate, Kiev manteria um exército permanente limitado a 800 mil soldados (atualmente são cerca de 900 mil), enquanto Washington ficaria à frente de um sistema internacional de alerta antecipado em caso de nova ofensiva russa. Países europeus também assumiriam compromissos jurídicos de defesa e apoiariam a entrada da Ucrânia na União Europeia.

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    Eleições

    Outro ponto de discordância envolve as eleições presidenciais na Ucrânia, suspensas pela lei marcial em vigor no país desde a invasão russa em 2022. Putin tem insistido na necessidade de eleições para que um acordo de paz funcione, alegando que o governo de Zelensky é ilegítimo.

    Moscou chegou a abrir a possibilidade de interromper os ataques militares no dia das eleições, de modo a facilitar o processo eleitoral. “Estamos preparados para considerar garantir a segurança das eleições na Ucrânia, ao menos abstendo-nos de realizar ataques dentro do país no dia da eleição”, disse Putin durante entrevista coletiva em 19 de dezembro.

    Eleito democraticamente em 2019, Zelensky argumenta que não seria possível realizar um pleito seguro e legítimo devido às dificuldades de acessar territórios controlados pela Rússia. “Sem segurança, a legitimidade também está em questão. Explicamos tudo isso para nossos aliados”, afirmou o presidente. Em setembro, o mandatário prometeu pedir ao Parlamento para organizar novas eleições no caso de um cessar-fogo bem-sucedido.

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