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‘Os homens fortes do governo Maduro continuam no poder’, diz especialista

Professor aponta que prisão de Maduro faz parte de uma estratégia de gestão de crises, não de uma transição imediata de regime

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 jan 2026, 16h36 •
  • A prisão de Nicolás Maduro não significou, até agora, uma mudança estrutural no poder na Venezuela. Apesar da retirada do principal líder do regime, o núcleo duro do chavismo permanece no comando do país, controlando instituições, forças de segurança e os principais mecanismos de decisão. Para o professor de Políticas Públicas do Ibmec Eduardo Galvão, trata-se de um movimento calculado dos Estados Unidos dentro de uma estratégia mais ampla de gestão de crises — e não de uma transição política imediata (este texto é um resumo do vídeo acima).

    Em entrevista ao programa Mercado, Galvão explicou que a derrubada de um líder, isoladamente, raramente é suficiente para desmontar um sistema político consolidado. “Os homens fortes do governo Maduro continuam no poder. Tirar o líder não basta se as estruturas permanecem intactas”, afirmou.

    Estabilização antes da transição

    Segundo o especialista, a lógica que orienta a atuação americana na Venezuela segue um roteiro já conhecido em intervenções internacionais. O primeiro passo é a chamada fase de estabilização, marcada pela retirada da liderança política central. Só depois vêm a recuperação econômica e institucional, para então se falar em uma eventual transição política.

    “Os Estados Unidos trabalham com a ideia de desmontar o sistema em etapas. Primeiro, neutralizam a liderança; depois, tentam reorganizar as estruturas; e só num terceiro momento pensam em mudança de regime”, explicou Galvão. O problema, ressalta, é que tanto o formato quanto o prazo desse processo permanecem indefinidos.

    Poder demonstrado, intenções abertas

    Para o professor, as declarações e ações do presidente Donald Trump deixam claro que Washington busca demonstrar poder — militar, político e estratégico — antes mesmo de apresentar um plano fechado para o futuro da Venezuela. “Os Estados Unidos estão mostrando que podem muita coisa e que querem muita coisa também”, disse.

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    Essa demonstração de força, segundo Galvão, deve ser interpretada dentro de um contexto maior de disputa hegemônica, especialmente na América Latina. A região voltou ao centro do tabuleiro global não apenas por questões ideológicas, mas por sua relevância nas cadeias de produção, fornecimento, tecnologia e energia.

    Venezuela no meio da disputa global

    Na avaliação do especialista, o movimento americano na Venezuela não se explica apenas pela crise interna do país, mas pela rivalidade crescente com a China. “É menos uma disputa por fronteiras e mais uma disputa por redes: redes de produção, de fornecimento, de tecnologia e de comunicação”, afirmou.

    Nesse cenário, a Venezuela aparece como um ponto estratégico, tanto por suas reservas energéticas quanto por sua posição geopolítica. A prisão de Maduro, portanto, seria apenas um capítulo inicial de uma ofensiva mais ampla, cujo desfecho ainda está longe de ser definido.

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    Enquanto isso, o país segue em um limbo político: sem o antigo líder no poder, mas com o sistema que o sustentava ainda de pé — e com o futuro condicionado não apenas às decisões internas, mas às tensões entre as grandes potências globais.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Mercado (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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