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Os drones usados pelo Irã para espalhar o terror no Oriente Médio

Baratos e letais, dispositivos Shahed impõem tensão econômica e psicológica, danificam bases e infraestruturas no Golfo e desafiam defesas aéreas

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 mar 2026, 16h49 • Atualizado em 12 mar 2026, 17h09
  • As primeiras duas semanas da campanha de retaliação do Irã contra os ataques constantes de Israel e Estados Unidos demonstraram, de uma vez por todas, que drones deixaram de ser sistemas de ataque auxiliares e se tornaram instrumentos centrais das campanhas aéreas modernas. Até esta quinta-feira, 12, 13º dia de conflito, mais de uma dezena de nações aliadas de Washington na região, incluindo Catar, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, sofreram com explosões provocadas pelo imenso arsenal de dispositivos kamikazes — Teerã é praticamente o inventor desse armamento, com o pioneiro Shahed, mambembe, mas mortífero.

    Mais simples de lançar e fabricar, imensamente mais baratos que mísseis e difíceis de interceptar, drones aumentam a capacidade de gerar pressão por um período prolongado contra um inimigo, impondo tensão econômica, psicológica e operacional ao mesmo tempo que o Irã preserva os armamentos avançados para alvos selecionados.

    Desde o ataque israelo-americano no dia 28 de fevereiro, o Irã disparou cerca de 2.100 drones (quatro vezes mais do que o número de mísseis empregados), levando à morte de treze pessoas em Israel, doze em estados do Golfo e danificando bases americanas, aeroportos e infraestruturas essenciais ligadas ao setor petrolífero, representando um sério desafio para o sistema de defesa aérea do Oriente Médio.

    Muitos dos dispositivos foram interceptados pelos sistemas de defesa locais e contramedidas americanas, como interferência eletrônica, novos sistemas a laser e “drones antidrone” (o modelo LUCAS), inspirados justamente nos projetos iranianos. Mesmo assim, não é possível proteger todos os alvos, como demonstrado pelo ataque de 1º de março ao porto de Shuaiba, no Kuwait, que matou pelo menos seis militares americanos.

    Centenas de drones também atingiram alvos nos Emirados Árabes Unidos, incluindo um depósito em uma base naval francesa. Dois drones atingiram a embaixada americana na Arábia Saudita na semana passada, e também provocaram um incêndio na refinaria de Ras Tanura, ligada à gigante saudita Aramco. (Israel afirmou separadamente ter interceptado dezenas de projéteis, uma tarefa mais fácil, já que está mais distante do Irã e a viagem aérea leva muito mais tempo.)

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    Os ataques desencadearam caos na aviação global e fizeram disparar os preços do petróleo, que voltou a ultrapassar os US$ 100 por barril nesta quinta-feira, evidenciando a estratégia iraniana de elevar os custos do conflito em nível internacional. Com isso, de acordo com analistas, Teerã espera que os prejuízos econômicos infligidos ao Ocidente e a pressão aos aliados dos Estados Unidos no Golfo levem Trump a pisar no freio.

    Simples, mas letal

    Pequenos, relativamente difíceis de interceptar e fáceis de produzir em larga escala, os drones explosivos iranianos podem não causar tantos danos físicos quanto seu arsenal de milhares de mísseis. No entanto, atingiram com sucesso uma base naval americana no Bahrein, aeroportos em Abu Dhabi e no Kuwait, arranha-céus em Dubai e no Bahrein, bem como portos marítimos, minando a aparência de segurança que o Golfo se esforçou para manter.

    Mais importante, o Irã utilizou um grande número de drones, ou ataques combinados de drones e mísseis, para sobrecarregar as defesas aéreas dos países-alvo.

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    “Esses drones, principalmente drones de ataque unidirecional da série Shahed, implantados em grandes ondas de saturação, têm sido usados ​​menos para infligir danos militares diretos e mais para provocar interrupções em infraestruturas locais, forçando os defensores a gastar interceptores caros contra sistemas de baixo custo”, escreve a pesquisadora Kateryna Bondar em artigo do think tank Center for Strategic and International Studies (CSIS), em Washington.

    Embora o Irã tenha um suprimento limitado de mísseis balísticos, acredita-se que possua um arsenal de milhares de veículos aéreos não tripulados e tenha a capacidade de produzi-los em massa. Antes da guerra, de acordo com a inteligência israelense, o arsenal desses aparelhos chegava a 10 mil (embora alguns analistas avaliem que a estimativa possa ser subestimada).

    O Irã continua a expandir seu estoque. O comandante do exército iraniano afirmou em janeiro que as Forças Armadas receberam um novo lote de 1.000 drones. A capacidade total de produção do país não é clara, mas uma fábrica construída na Rússia com ajuda iraniana produz 18.540 drones por ano, segundo o Instituto para Ciência e Segurança Internacional, que utiliza imagens de satélite em suas pesquisas sobre as capacidades militares iranianas e russas. No ano passado, a Rússia lançava cerca de 1.000 drones Shahed por semana na Ucrânia, de acordo com o CSIS.

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    A produção de drones é mais simples do que a produção de mísseis e, portanto, mais fácil de regenerar em caso de danos a fábricas. Além do Shahed-136, o Irã também possui estoques de modelos mais antigos e rudimentares do Shahed, aos quais pode recorrer, e do Samad, anteriormente utilizado pelos hutis, o grupo rebelde apoiado pelo regime dos aiatolás no Iêmen.

    De acordo com o Comando Central americano, unidade do Exército responsável pelo Oriente Médio, os disparos iranianos já caíram 92% em relação aos primeiros dias de conflito, o que pode indicar tanto escassez quanto matemática estratégica para prolongar os combates.

    Reação

    Em comunicado conjunto divulgado na semana passada, os países árabes do Golfo afirmaram que os ataques iranianos contra seus territórios são “inaceitáveis” e que uma resposta virá. A informação foi divulgada pela emissora Al Jazeera, que citou declarações, entre outras, de um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, indicando que os ataques iranianos em curso “não podem ficar sem retaliação”.

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    Em uma declaração conjunta, Arábia Saudita, Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos reafirmam “o direito à autodefesa” contra esses ataques para “defender nossos cidadãos”.

    No entanto, ainda se reservam a uma postura defensiva, não tendo tomado parte da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

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