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Os detalhes da operação que levou à morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei

Informações de inteligência israelense foram coletadas por décadas antes da ação militar

Por Flávio Monteiro 4 mar 2026, 12h50 •
  • O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, 86 anos, morreu no último sábado, 28, no primeiro dia de ataques perpetrados por Estados Unidos e Israel. As condições que levaram ao assassinato do clérigo, no entanto, vinha, sendo desenvolvidas há décadas.

    De acordo com o jornal britânico Financial Times, quase todas as câmeras de trânsito da capital iraniana, Teerã, haviam sido invadidas por hackers israelenses por anos a fio. As imagens obtidas eram criptografadas e transmitidas para servidores em Israel, onde ajudaram a mapear a cidade em detalhes e estabelecer padrões de movimentação.

    “Conhecíamos Teerã como conhecemos Jerusalém”, definiu um oficial de inteligência israelense ao FT. 

    Os registros obtidos através das filmagens passaram a integrar um sistema muito mais complexo, definido como “máquina de produção de alvos” por uma fonte israelense ouvida pela emissora americana CNN. Atrelando as imagens das ruas de Teerã a informações de inteligência humana, imagens de satélite, comunicações interceptadas, entre outros, Tel Aviv conseguiu produzir um retrato preciso do centro de poder persa.

    A grande quantidade de dados era submetida a um método matemático conhecido como Social Network Analysis (SNA), que desvenda e descreve redes de relacionamento entre atores sociais. Segundo o depoimento de uma pessoa familiarizada com o uso do método ao FT, todo esse ecossistema era utilizado para uma única finalidade: produzir alvos.

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    A capacidade de Tel Aviv em identificar alvos com sucesso já havia sido demonstrada em junho, durante a breve guerra de 12 dias contra Teerã. Na ocasião, mais de uma dúzia de cientistas nucleares iranianos e oficiais de alta patente foram assassinados em questão de minutos devido às informações de inteligência – incluindo o líder da Guarda Revolucionária Islâmica.

    O ataque

    No dia 11 de fevereiro, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu se encontrou com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington para tratar sobre o Irã. Apesar de negociações em andamento com Teerã em torno de seu programa nuclear, a reunião teve como foco os próximos passos a serem tomados a partir do momento em que as negociações fracassassem.

    Netanyahu apresentou a Trump o panorama completo das informações obtidas por Israel, e um plano de ataque conjunto entre as nações começou a se tornar mais claro. A aprovação veio semanas depois, na sexta-feira, 27, quando o mandatário americano deu a ordem para que suas forças armadas desencadeassem a ofensiva inicial.

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    Uma vez que o ataque foi autorizado, jatos israelenses que estavam no ar há horas dispararam até 30 munições de precisão em direção ao local de reunião no qual o aiatolá estava. O sucesso da missão foi confirmado na manhã de domingo, quando a emissora estatal iraniana anunciou: “O Líder Supremo do Irã alcançou o martírio”.

    Segundo a emissora, Khamenei foi morto enquanto cumpria os seus deveres no escritório e não estava escondido. “Seu martírio em seu local de trabalho provou, mais uma vez, a falsidade da guerra psicológica do inimigo”.

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