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ONG detalha expulsão irrestrita de palestinos da Cisjordânia e acusa Israel de crimes de guerra

Novo relatório da Human Rights Watch revela que 32 mil deles foram obrigados a deixar campos de refugiados entre janeiro e fevereiro

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 nov 2025, 15h30 • Atualizado em 20 nov 2025, 15h36
  • Um relatório divulgado pela Human Rights Watch (HRW) nesta quinta-feira, 20, revelou que 32 mil palestinos foram expulsos pelo Exército de Israel de três campos de refugiados na Cisjordânia entre janeiro e fevereiro deste ano. A remoção forçada da população, segundo a ONG, configura crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

    “No início de 2025, as autoridades israelenses removeram à força 32 mil palestinos de suas casas em campos de refugiados na Cisjordânia, sem levar em consideração as proteções legais internacionais, e não permitiram seu retorno”, afirmou Nadia Hardman, pesquisadora sênior de direitos dos imigrantes da HRW. “Com a atenção global voltada para Gaza, as forças israelenses cometeram crimes de guerra, crimes contra a humanidade e limpeza étnica na Cisjordânia, que devem ser investigados e os responsáveis ​​processados”, ela acrescentou.

    O documento de 105 páginas analisou imagens de satélite, ordens de demolição emitidas pelas Forças Armadas israelenses, vídeos de operações militares e entrevistou 31 refugiados deslocados dos campos de Jenin, Tulkarem e Nur Shams. Os palestinos foram obrigados a deixar suas casas enquanto a atenção do mundo estava voltada para a guerra em Gaza, e até hoje não foram permitidos a voltar.

    Reação de Israel

    Em resposta ao relatório, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) defenderam a chamada “Operação Muro de Ferro”, lançada nos três campos há dez meses, “em vista das ameaças à segurança representadas por esses campos e da crescente presença de elementos terroristas dentro deles”.

    Os militares afirmaram em nota enviada à emissora americana CNN ter destruído os edifícios dos campos para criar “novas rotas de acesso”, uma decisão “tomada com base na necessidade operacional, com cuidadosa consideração e somente após a análise de opções alternativas para alcançar a mesma vantagem militar”.

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    O comunicado acrescentou que as “demolições foram realizadas legalmente, com base na necessidade militar e com a proporcionalidade exigida” e que o terrorismo “na Judeia e Samaria”, o termo bíblico que o governo de Israel usa para a Cisjordânia, “diminuiu 70%” desde o início da operação”.

    Expurgo

    Segundo a HRW, Israel invadiu o campo de refugiados de Jenin em 21 de janeiro, com helicópteros Apache, drones, tratores e veículos blindados transportando tropas terrestres, para expulsar os palestinos que ali viviam. Operações semelhantes foram realizadas em Tulkaram, em 27 de janeiro, e em Nur Shams, em 9 de fevereiro.

    Soldados israelenses “gritavam e atiravam coisas para todos os lados… Parecia cena de filme – alguns usavam máscaras e carregavam todos os tipos de armas”, disse uma mulher de 54 anos em depoimento ao relatório.

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    Após análise, a ONG constatou que os palestinos deslocados não foram autorizados a recolher seus pertences antes da expulsão, nem retornar para suas casas. Os que tentaram, diz o documento, foram alvejados por soldados israelenses. Imagens de satélite analisadas seis meses depois revelaram que mais de 850 casas e outros edifícios nos campos foram danificados ou destruídos completamente.

    O relatório também concluiu que Israel não forneceu abrigo ou assistência humanitária para os moradores deslocados, sendo deixadas à própria sorte. Quem pôde, foi ficar com amigos e família; outros recorreram a mesquitas ou instituições de caridade locais.

    Os três campos foram abertos no início da década de 1950 pela UNRWA, principal agência das Nações Unidas para refugiados palestinos, para abrigar alguns dos mais de 700 mil que foram expulsos de suas casas após a criação de Israel em 1948. Eles e seus descendentes residiam nesses locais desde então.

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    Ataques na Cisjordânia

    Desde os atentados terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deram início à guerra em Gaza, as Forças Armadas israelenses intensificaram as operações também na Cisjordânia, outro território palestino — já amplamente ocupado por Israel. Os principais alvos eram células militantes palestinas, mas a imposição de postos de controle e o isolamento de comunidades inteiras do mundo exterior afetou muitos outros.

    Também houve uma escalada nos ataques de colonos judeus e na apropriação de terras palestinas no território. Os assentamentos israelenses na Cisjordânia são considerados ilegais à luz do direito internacional.

    A HRW exigiu agora que funcionários do governo israelense sejam investigados pelas expulsões, incluindo o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e o major-general Avi Bluth, chefe do Comando Central que supervisionava operações militares na Cisjordânia.

    Caso sejam considerados culpados, eles devem ser processados ​​por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, afirmou a organização.

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