Olimpíada de Inverno vira palco de protestos anti-ICE com centenas nas ruas e ‘xixi na neve’
Manifestantes contestam suposta presença da polícia de imigração dos EUA no evento esportivo e criticam operações contra estrangeiros em Minnesota
Centenas de manifestantes se reuniram nesta sexta-feira, 6, em Milão, na Itália, para protestar contra a presença de agentes do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, durante os Jogos Olímpicos de Inverno, que acontecem de 6 a 22 de fevereiro.
O protesto ganhou força após relatos de que os policiais federais americanos estariam na cidade italiana para “proteger cidadãos de seu país” durante o evento esportivo. O tema mobilizou sobretudo estudantes, que exibiram faixas com mensagens como “Fora ICE” e críticas contumazes à atuação da agência migratória em cidades como Minneapolis, no estado de Minnesota, onde dois manifestantes perderam a vida durante operações para capturar estrangeiros. A multidão também exigiu que o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, deixassem a Itália.
“Achei que esta era uma boa oportunidade para mostrar que o resto do mundo não está O.K. com o que está acontecendo em Minnesota”, disse Katie Legare, uma manifestante nascida no estado que atualmente estuda na Europa, referindo-se ao assassinato dos americanos Renee Good e Alex Pretti por agentes do ICE.
Alguns atletas também aproveitaram para expressar rejeição às ações da polícia migratória americana, com destaque para o esquiador britânico Gus Kenworthy, que publicou uma foto com os dizeres “F*ck ICE” (“Dane-se o ICE”, em tradução livre) escritos com sua própria urina na neve. As autoridades do Comitê Olímpico Britânico e do Comitê Olímpico Internacional (COI) indicaram que não censurariam o atleta, pois a postagem ocorreu fora do ambiente olímpico oficial e foi considerada uma expressão pessoal de opinião.
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O governo italiano minimizou a polêmica e declarou que não há agentes do ICE atuando nas ruas durante a Olimpíada de Inverno. De acordo com as autoridades locais, apenas funcionários da Investigação de Segurança Interna trabalham em missões diplomáticas dos Estados Unidos no país. O Comitê Olímpico e Paralímpico americano também afirmou que nenhum policial de imigração participa da segurança de sua delegação.
Diante da cerimônia de abertura, que começou às 20h locais (16h em Brasília), as autoridades italianas determinaram o fechamento de escolas no centro de Milão e restringiram o acesso a algumas áreas para reforçar a segurança e reduzir impactos no trânsito.
Na tarde desta sexta, outro protesto foi realizado em uma praça perto do estádio San Siro, onde ocorre a cerimônia de abertura. Os manifestantes também afirmaram que a Olimpíada é um desperdício de dinheiro e recursos em um momento no qual os preços de habitação são inacessíveis na Itália.





