Ofensiva de Israel deixa mais de 58 mil deslocados no Líbano
Número de desalojados dobrou em 24 horas após incursão terrestre no sul do país
Os ataques de Israel contra o sul do Líbano já forçaram mais de 58 mil pessoas a deixar suas casas, informaram autoridades libanesas esta terça-feira, 3. De acordo com a unidade de gestão de desastres do governo, o total de deslocados dobrou em 24 horas, em meio à intensificação dos bombardeios e ao avanço de tropas israelenses na região fronteiriça.
A escalada teve início após o Hezbollah lançar foguetes e drones contra o território israelense, afirmando agir em retaliação à morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel no último sábado, 28. Em resposta, o governo israelense ampliou a ofensiva e atingiu bairros do sul de Beirute e dezenas de vilarejos no sul libanês, redutos do grupo xiita.
Nesta terça-feira, forças terrestres israelenses entraram em áreas próximas à fronteira, como as planícies de Kfarkila e Khiam, segundo uma fonte do Exército libanês ouvida pela AFP. As Forças de Defesa de Israel confirmaram o avanço e afirmaram que estão criando uma “zona de segurança” no sul do Líbano para impedir ataques contra comunidades do norte de Israel.
“O Comando Norte continuou avançando e está criando uma zona de segurança, como prometemos, entre nossos habitantes e qualquer tipo de ameaça”, declarou o porta-voz militar Effie Defrin. Mais cedo, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que, com autorização do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ordenou que o Exército “avance e assuma o controle de posições estratégicas adicionais” em território libanês.
O Hezbollah declarou ter lançado novas salvas de mísseis e drones contra bases militares no norte de Israel. O Exército israelense respondeu com mais bombardeios e emitiu ordens para que moradores deixassem vilarejos ao sul do rio Litani, ampliando o êxodo na região e esvaziando áreas inteiras nos subúrbios do sul de Beirute.
A violência coloca em xeque o cessar-fogo firmado em novembro de 2024, que havia interrompido meses de confrontos entre Israel e o Hezbollah, embora com violações pontuais de ambos os lados. A trégua se deteriorou de vez após a guerra aérea iniciada no sábado contra o Irã, que transformou o embate entre Teerã, Israel e Estados Unidos em um conflito de alcance regional.
Nesta manhã, Katz voltou a afirmar que as tropas devem “manter posição e avançar” no sul do Líbano para impedir novos ataques do Hezbollah. Paralelamente, Estados Unidos e Israel mantiveram ofensivas contra alvos iranianos. Washington afirmou ter destruído instalações de comando da Guarda Revolucionária Islâmica, enquanto o Irã reagiu com ataques a interesses americanos na região, incluindo um ataque com drones contra a embaixada dos EUA em Riad, que provocou um incêndio de pequenas proporções.





