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Odebrecht confirma doação para campanha de Alan García em 2006

O promotor peruano Rafael Vela está em Curitiba para ouvir dois ex-executivos da empreiteira, que espera retomar seus negócios no país vizinho

O ex-responsável pelas operações da Odebrecht no Peru confirmou à promotoria peruana nesta terça-feira, 23, que a construtora entregou dinheiro à campanha eleitoral do ex-presidente Alan García, em 2006. García cometeu suicídio no último dia 17, depois que policiais chegaram a sua casa para executar um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça peruana.

Em declarações à emissora peruana N em Curitiba (PR), o promotor público peruano Rafael Vela disse que a informação do ex-superintendente da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, “tem sido rigorosa e o que posso dizer é que estamos em condições de dizer que a hipótese de investigação do Ministério Público está comprovando”.

García chegou ao poder pela segunda vez em 2006 e governou até 2011. Antes, havia presidido o Peru entre 1985 e 1990. A contribuição da empresa fora destinada ao financiamento da campanha de García de 2006, mas o promotor não revelou a quantidade de dinheiro envolvida.

Os promotores que investigam o esquema de corrupção da Odebrecht no Peru interrogarão dois ex-executivos da empresa, em Curitiba, até a sexta-feira, 26. O Ministério Público peruano e a companhia assinaram início deste ano um acordo de leniência. A Odebrechet concordou em revelar os nomes de políticos peruanos corrompidos em troca da continuidade de seus trabalhos no país e do pagamento de uma multa milionária.

Todos os presidentes do Peru desde 2001 têm contas pendentes com a Justiça por seus vínculos com a Odebrecht. Alejandro Toledo (2001-2006) mora nos Estados Unidos, embora tenha sido pedida sua extradição, e Ollanta Humala (2011-2016) também esteve preso junto com sua mulher, Nadine Heredia, entre 2017 e 2018. Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) está internado em uma clínica local, mas será transferido para uma prisão, onde cumprirá pena de três anos.

A Odebrecht está no centro de um enorme escândalo de corrupção na América Latina desde que admitiu em 2016, como parte de um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ter subornado autoridades da região. A empresa teria distribuído 800 milhões de dólares em troca de contratos de obras de infraestrutura.

(Com Estadão Conteúdo)