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O que Trump realmente busca no Oriente Médio com o ataque ao Irã e assassinato de Khamenei

Especialista em geopolítica analisa ação militar sem aval do Congresso, resistência do regime iraniano e disputa entre superpotências por influência e petróleo

Por Redação VEJA 1 mar 2026, 12h10 •
  • A decisão de Donald Trump de ordenar um ataque coordenado dos Estados Unidos com Israel contra o Irã, que culminou na morte do líder supremo Ali Khamenei e de outros comandantes iranianos, acirrou as críticas internas e internacionais à Casa Branca e intensificou um conflito já volátil no Oriente Médio (este texto é um resumo do vídeo acima).

    Neste contexto de guerra aberta, o professor de geopolítica da PUC-PR José Alfredo Nyegray participou do programa Giro VEJA Especial neste domingo, 1, para explicar os fundamentos e possíveis consequências estratégicas da ofensiva, que, em sua visão, rompe com práticas diplomáticas tradicionais e insere os Estados Unidos em uma dinâmica de confrontação direta com o Irã.

    Trump violou a Constituição ao atacar?

    Para Nyegray, as ações de Trump representam um rompante que fragmenta a ordem geopolítica e rompe com os instrumentos legais internos dos EUA.

    “O Trump tem tido esses rompantes […] que fragmentam cada vez mais a ordem geopolítica”, disse o especialista, destacando que, nos Estados Unidos, o Congresso não declarou guerra de fato desde a Segunda Guerra Mundial, e que presidentes americanos tradicionalmente evitam pedir autorização formal para conflitos — optando por justificar ações como medidas de “legítima defesa preventiva”. Essa justificativa, afirmou ele, “pela esfera do direito internacional não é possível”, ou seja, não encontra respaldo tradicional nas normas globais de uso da força.

    Como fica o Irã após a morte de Khamenei?

    Perguntado sobre as implicações internas para o Irã após o ataque e a morte do aiatolá, Nyegray destacou a robustez e complexidade do sistema político iraniano.

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    Ele explicou que, mesmo se um governante cai, isso não significa automaticamente a mudança de regime ou imposição de democracia por bombardeios. A estrutura do país — que inclui guardiões religiosos, conselhos políticos e forças como a Guarda Revolucionária — existe justamente para sobreviver a instabilidades e protestos internos, e pode perpetuar o regime mesmo em situações de choque.

    Essa análise sugere que o impacto da ofensiva vai além da eliminação de um líder: ele desencadeia um processo em que instituições e facções internas disputarão como resguardar a continuidade do Estado iraniano.

    O que os EUA buscam com essa política externa agressiva?

    Ao comentar a estratégia externa americana, Nyegray utilizou a expressão “bully diplomacy” — ou diplomacia do bullying — para caracterizar o padrão de ações coercitivas adotadas por Washington. Segundo ele, ataques como esse não são isolados, mas fazem parte de uma postura mais ampla de pressão e intimidação em relações internacionais.

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    O professor situou parte dessa política no esforço de os EUA manterem ou ampliarem influência econômica e geopolítica — em particular, a disputa pelo controle de recursos estratégicos como o petróleo.

    Ele lembrou que, ao intervir em países como a Venezuela, os Estados Unidos ganharam controle de parte significativa da produção de petróleo, o que impacta diretamente seu relacionamento com concorrentes globais como a China. No caso do Irã, o objetivo seria controlar quem fornece petróleo ao principal importador mundial, inclusive Pequim, em um contexto de competição entre as duas maiores potências econômicas do mundo.

    Essa disputa por recursos, de acordo com o analista, estaria no centro de grandes movimentos geopolíticos e explica, em parte, a decisão de atacar Teerã — em oposição às vias diplomáticas que vinham sendo tentadas até então.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Giro VEJA Especial (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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