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O que se sabe até agora sobre acusações no caso Epstein e a resposta de personagens citados

Maior liberação de documentos da história do caso expõe menções a políticos, bilionários e autoridades de vários países; a maioria nega qualquer irregularidade

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 fev 2026, 18h29 • Atualizado em 2 fev 2026, 19h30
  • O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou na última sexta-feira, 30, a maior leva de documentos já tornada pública sobre o caso Jeffrey Epstein. O acervo reúne mais de 3 milhões de páginas, 2.000 vídeos e cerca de 180.000 imagens produzidos ao longo de anos de investigações sobre o financista condenado por abuso sexual de menores, encontrado morto em 2019 em uma prisão federal.

    A liberação — determinada pelo Congresso americano e considerada a última grande divulgação relacionada ao caso — expõe uma extensa lista de nomes poderosos. Entre eles estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os bilionários Elon Musk e Bill Gates, além de autoridades e figuras públicas do Reino Unido, da França, de Israel e de países nórdicos. Os arquivos também trazem citações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

    + Trump nega amizade com Epstein e cita conspiração da ‘esquerda radical’

    Estados Unidos

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é citado centenas de vezes nos documentos. Cerca de 4.500 arquivos fazem referência ao republicano, incluindo relatos enviados ao FBI com denúncias não comprovadas. Nenhuma das menções vem acompanhada de provas.

    A Casa Branca afirmou que os arquivos podem conter informações falsas ou manipuladas. Nesta segunda-feira, 2, Trump voltou a negar qualquer vínculo com Epstein, disse nunca ter visitado a ilha particular do financista e acusou adversários políticos de promoverem uma campanha de difamação.

    Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que as citações fazem parte de uma campanha política. “Que bela demonstração da esperança da esquerda radical, alguns dos quais irei processar”, escreveu.

    Os documentos também incluem rascunhos de e-mails escritos pelo próprio Epstein com alegações envolvendo Bill Gates, como supostos encontros extraconjugais e até a contração de uma doença sexualmente transmissível. Não há indícios de que essas mensagens tenham sido enviadas ou recebidas por Gates. A Fundação Bill e Melinda Gates classificou as acusações como “absolutamente falsas e absurdas”.

    Trocas de mensagens atribuídas a Epstein mencionam ainda Elon Musk, incluindo convites para visitar sua ilha no Caribe. O bilionário afirmou que nunca aceitou os convites, que teve pouquíssima correspondência com Epstein e que as mensagens podem ser interpretadas fora de contexto.

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    O atual secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, aparece em registros que indicam o planejamento de uma visita à ilha de Epstein em 2012, apesar de declarações anteriores de que teria rompido relações em 2005. Procurado, disse que não comentaria o caso sem analisar os documentos mais recentes.

    Lula e Bolsonaro são mencionados

    Os arquivos também trazem referências ao Brasil, ainda que não indiquem contato direto entre Epstein e autoridades brasileiras.

    Em uma troca de e-mails com Steve Bannon, em 2018, Epstein elogiou o então candidato Jair Bolsonaro, afirmando que ele teria “mudado o jogo” na política migratória e desafiado a União Europeia. Não há registro de interação direta entre os dois.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece citado em mensagens escritas pelo linguista Noam Chomsky, que relatou a Epstein seu envolvimento na campanha “Lula Livre” e descreveu o petista como “o prisioneiro político mais importante do mundo”. Segundo os documentos, Chomsky manteve contato prolongado com Epstein e foi convidado a visitar suas residências.

    Não há indícios de que Lula ou Bolsonaro tenham mantido qualquer relação pessoal com Epstein.

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    Reino Unido 

    Os documentos revelam a proximidade de Epstein com membros da elite britânica. Há e-mails trocados com uma pessoa identificada como “O Duque”, que seria Andrew Mountbatten-Windsor, ex-duque de York, discutindo jantares no Palácio de Buckingham, descritos como ocasiões com “muita privacidade”.

    Outra mensagem menciona uma oferta para apresentar o duque a uma mulher russa. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que Andrew deveria prestar esclarecimentos às autoridades.

    Mountbatten-Windsor tem negado repetidamente qualquer irregularidade e afirmou que não “viu, testemunhou ou suspeitou de qualquer comportamento do tipo que posteriormente levou” à prisão e condenação de Epstein.

    O ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, Peter Mandelson, renunciou à filiação ao Partido Trabalhista após documentos revelarem pagamentos feitos por Epstein a contas ligadas a ele. Em carta, afirmou que deixou o partido para evitar constrangimentos adicionais.

    França e países nórdicos

    Na França, e-mails mencionam contatos envolvendo o presidente Emmanuel Macron ainda no período em que era ministro da Economia. O Palácio do Eliseu não se manifestou.

    Nos países nórdicos, a princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, confirmou encontros com Epstein e visitas a propriedades dele, mas afirmou nunca ter ido à ilha. Registros também citam convites envolvendo membros da realeza da Suécia e da Dinamarca, sem comentários oficiais.

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    Israel e Oriente Médio 

    O ex-primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, aparece em registros que indicam estadias em um apartamento de Epstein em Nova York. Ele reconheceu os contatos, mas negou qualquer atividade ilegal.

    Trocas de mensagens também citam o empresário emiradense Sultan Ahmed bin Sulayem, envolvendo discussões sobre projetos no Oriente Médio. Não há comprovação de que tenham sido executados.

    Eslováquia e Turquia

    Na Eslováquia, o ex-chanceler Miroslav Lajcak renunciou após ser citado nos arquivos. Ele negou irregularidades e afirmou que deixou o cargo para evitar desgaste político.

    Na Turquia, e-mails mostram pedidos de apoio financeiro e conselhos feitos a Epstein por pessoas ligadas à Robert College, levantando questionamentos sobre sua atuação em instituições educacionais.

    Ucrânia e Rússia

    Mensagens atribuídas a Epstein mencionam o opositor russo Ilya Ponomarev como possível alternativa política a Vladimir Putin e fazem comentários depreciativos sobre o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Não há evidência de contato direto com os citados.

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