O que planejam as forças policiais do Reino Unido em caso que liga Andrew a Epstein
Ampliação das apurações coincide com a intensificação da pressão política
Por Ernesto Neves 19 fev 2026, 08h34 • Atualizado em 19 fev 2026, 09h10
-
O cerco se aperta no Reino Unido sobre o caso Jeffrey Epstein. Nove forças policiais investigam denúncias relacionadas aos ‘Epstein files’, com destaque para a prisão do Príncipe Andrew por suspeita de má conduta em cargo público. Há apurações sobre tráfico de vítimas e envolvimento de agentes de proteção real.
-
Este resumo foi útil?
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O cerco em torno das revelações envolvendo o financista americano Jeffrey Epstein ganhou dimensão nacional no Reino Unido.
Ao menos nove forças policiais confirmaram que estão analisando informações e denúncias para decidir se abrem investigações formais relacionadas às alegações que emergiram após a divulgação dos chamados “Epstein files”.
A movimentação ocorre em meio à prisão do ex-príncipe Andrew, suspeito de má conduta em cargo público, e ao aumento da pressão política para que todos os envolvidos prestem esclarecimentos. Embora cada força atue de forma independente, o volume de avaliações simultâneas evidencia a amplitude geográfica das suspeitas.
A Metropolitan Police, responsável por Londres, examina alegações de que agentes encarregados da proteção real teriam “feito vista grossa” durante visitas à ilha privada de Epstein. Também analisa acusações de que o ex-ministro britânico Peter Mandelson teria compartilhado informações sensíveis.
A Surrey Police busca dados sobre uma alegação ocorrida em Virginia Water nos anos 1990. Já a Thames Valley Police avalia denúncias de que Epstein teria enviado uma jovem ao Reino Unido para um encontro sexual com Andrew no Royal Lodge, em 2010, além de examinar possíveis compartilhamentos de informações confidenciais durante o período em que o príncipe atuou como enviado comercial do Reino Unido.
A própria Thames Valley confirmou que realiza buscas em endereços nos condados de Berkshire e Norfolk. Em nota, o assistente-chefe Oliver Wright afirmou que, após avaliação preliminar, foi aberta investigação por suspeita de má conduta em cargo público, ressaltando a necessidade de preservar a integridade do processo diante do “significativo interesse público”.
Outras forças também revisam possíveis conexões logísticas com o Reino Unido. A Essex Police analisa informações segundo as quais Epstein teria traficado vítimas por meio do aeroporto de Stansted.
A Bedfordshire Police examina o uso do aeroporto de Luton. A Police Scotland solicita informações sobre eventual utilização do aeroporto de Edimburgo. A West Midlands Police avalia dados ligados ao aeroporto de Birmingham.
A Wiltshire Police revisa seus registros e presta apoio à polícia metropolitana. Já a Norfolk Constabulary informou que está analisando documentos, embora não tenha recebido acusações específicas até o momento.
A ampliação das apurações coincide com a intensificação da pressão política. Questionado sobre o caso, o primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que qualquer pessoa com informações relevantes deve prestar depoimento às autoridades competentes.
A declaração ocorre em meio a pedidos para que Andrew também colabore com investigações conduzidas nos Estados Unidos.
O caso marca uma nova fase no impacto internacional das revelações associadas a Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento. A decisão final sobre abertura de processos criminais dependerá da análise individual de cada força policial e, posteriormente, do crivo do Ministério Público britânico.
O que disse a polícia
A Thames Valley Police informou em comunicado que agentes prenderam um homem na faixa dos 60 anos sob suspeita de má conduta em cargo público. A corporação não divulgou o nome do detido, conforme determina a legislação britânica, mas os detalhes apresentados coincidem com as acusações que envolvem Andrew Mountbatten-Windsor, anteriormente conhecido como príncipe Andrew. Ele nega qualquer irregularidade.
Segundo a polícia, “como parte da investigação, prendemos hoje (19/2) um homem na casa dos 60 anos, residente em Norfolk, sob suspeita de má conduta em cargo público, e estamos realizando buscas em endereços nos condados de Berkshire e Norfolk”.
O comunicado acrescenta que o homem permanece sob custódia policial e que seu nome não será divulgado “de acordo com as diretrizes nacionais”. A corporação também alertou que o caso está ativo e que qualquer publicação deve evitar risco de desacato ao tribunal.
O assistente-chefe de polícia Oliver Wright afirmou que, após avaliação detalhada, foi aberta investigação formal sobre a suspeita de má conduta em cargo público.
“É importante proteger a integridade e a objetividade da nossa investigação enquanto trabalhamos com parceiros para apurar a suposta infração”, disse.
Ele acrescentou que as autoridades reconhecem o “significativo interesse público” no caso e que novas informações serão divulgadas no momento apropriado.





