O que os americanos acham sobre os arquivos Epstein, segundo pesquisa
Departamento de Justiça dos EUA divulgou no mês passado a maior leva de documentos já tornada pública sobre financista condenado por crimes sexuais
A maioria dos norte-americanos acredita que pessoas ricas e influentes raramente enfrentam consequências por seus atos, segundo uma nova pesquisa publicada na quarta-feira, 18, pela agência de notícias Reuters e o instituto Ipsos. O levantamento foi realizado após a divulgação de milhões de documentos sobre as conexões do falecido predador sexual Jeffrey Epstein com figuras de destaque dos meios político, empresarial e da elite dos Estados Unidos.
Segundo a pesquisa, 69% dos entrevistados afirmaram que a declaração de que os arquivos de Epstein “mostram que pessoas poderosas nos EUA raramente são responsabilizadas por suas ações” descreve “muito bem” ou “extremamente bem” sua visão. Outros 17% disseram que a frase reflete “em parte” sua opinião, enquanto 11% discordaram.
O levantamento também revelou divisões partidárias sobre a continuidade do debate. Entre os republicanos, 67% afirmaram que estavam de acordo, ao menos em parte, que “é hora de o país parar de falar sobre os arquivos de Epstein”. Entre os democratas, apenas 21% concordaram com essa afirmação.
Arquivos Epstein
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou no dia 30 de janeiro a maior leva de documentos já tornada pública sobre o caso Jeffrey Epstein. O acervo reúne mais de 3 milhões de páginas, 2.000 vídeos e cerca de 180.000 imagens produzidos ao longo de anos de investigações sobre o financista condenado por abuso sexual de menores, encontrado morto em 2019 em uma prisão federal.
A liberação — determinada pelo Congresso americano e considerada a última grande divulgação relacionada ao caso — expõe uma extensa lista de nomes poderosos. Entre eles estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os bilionários Elon Musk e Bill Gates, além de autoridades e figuras públicas do Reino Unido, da França, de Israel e de países nórdicos. Os arquivos também trazem citações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Trump é citado centenas de vezes nos documentos. Cerca de 4.500 arquivos fazem referência ao republicano, incluindo relatos enviados ao FBI com denúncias não comprovadas. Nenhuma das menções vem acompanhada de provas. A Casa Branca afirmou que os arquivos podem conter informações falsas ou manipuladas, e Trump nega qualquer vínculo com Epstein.






