Número de baixas russas na Ucrânia é o maior desde a Segunda Guerra Mundial, diz relatório
Cerca de 1,2 milhão de soldados russos foram mortos, feridos ou estão desaparecidos desde o início da guerra na Ucrânia, de acordo com o CSIS
Cerca de 1,2 milhão de soldados russos foram mortos, feridos ou estão desaparecidos desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, revelou um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) na quarta-feira 28. O número de baixas militares é o maior entre todos os conflitos desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em contrapartida, o documento estima as perdas ucranianas entre 500 e 600 mil, nos mesmos critérios.
“Apesar das alegações de avanços no campo de batalha na Ucrânia, os dados mostram que a Rússia está pagando um preço extraordinário por ganhos mínimos e encontra-se em declínio como grande potência. Desde fevereiro de 2022, as forças russas sofreram quase 1,2 milhão de baixas, mais perdas do que qualquer outra grande potência em qualquer guerra desde a Segunda Guerra Mundial. No ritmo atual, as baixas combinadas da Rússia e da Ucrânia podem chegar a 2 milhões até a primavera de 2026”, disse o levantamento.
Em termos comparativos, segundo o relatório, os Estados Unidos perderam 54.487 soldados na Guerra da Coreia (1950-1953), ao passo que foram registradas 47.434 mortes durante a Guerra do Vietnã (1955-1975). Foram 149 mortes na Guerra do Golfo (1990-1991), 2.465 em duas operações no Afeganistão (iniciadas em 2001 e 2015) e 4.432 em uma operação no Iraque (lançada em 2003). Na ponta do lápis, as baixas de Moscou e Kiev são cinco vezes maiores do que as perdas totais em todas as guerras russas e soviéticas desde a Segunda Guerra.
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Ritmo lento no campo de batalha
A análise também contestou o discurso dos Estados Unidos de que a Rússia está perto da vitória. O CSIS apontou que “o ritmo lento de avanço da Rússia em múltiplas ofensivas nos últimos dois anos ressalta a natureza desgastante da guerra na Ucrânia e a dificuldade de romper posições defensivas fortificadas”. As tropas russas estão tendo dificuldade em contornar a estratégia de “defesa em profundidade” de Kiev — que utiliza trincheiras, obstáculos antitanque e minas, junto com drones e artilharia —, restringindo ganhos muito expressivos.
O relatório indicou que “as forças russas tomaram cerca de 75.000 quilômetros quadrados (aproximadamente 12% da Ucrânia) desde a invasão de 2022 e controlam cerca de 120.000 quilômetros quadrados (aproximadamente 20% da Ucrânia e uma área aproximadamente do tamanho da Pensilvânia)”, abaixo das expectativas russas. “Esses ganhos e o progresso geral da Rússia no campo de batalha, especialmente nos últimos dois anos, ficam muito aquém do objetivo de Moscou de conquistar militarmente a Ucrânia”, acrescentou.
Enquanto isso, Moscou continua a ofensiva aérea. Pelo menos cinco pessoas morreram em um ataque de drone russo contra um trem civil no nordeste da Ucrânia nesta terça-feira, 28, disse o presidente Volodymyr Zelensky, que definiu o incidente como um “ato de terrorismo”. A emissora americana CNN falou em “cenas de carnificina”, com partes de corpos espalhadas nos destroços, de forma a impedir que autoridades conseguissem identificar imediatamente o número de vítimas.





