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Novo apagão em Cuba: repórter de VEJA conta como é ver o drama de perto

Sem entrada de petroleiros desde 9 de janeiro, país tem aumentado duração de cortes de energia, que afetam desde telecomunicações até acesso à água

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 mar 2026, 10h16 • Atualizado em 22 mar 2026, 10h25
  • A escassez de combustível e os frequentes apagões em Cuba têm afetado diretamente o dia a dia na capital Havana.

    Estou em Habana Vieja, bairro que é o centro histórico e que geralmente não era atingido pelas quedas de energia. Mas desde as 18h do sábado, 21, até ao menos as 8h deste domingo, 22, estamos sem luz.

    Só consegui um pouco de Wi-Fi agora, mas muito ruim. Não consigo nem abrir sites de notícias pra ler atualizações, apenas o WhatsApp — e, mesmo assim, demora horas para mandar uma mensagem. As informações acabam chegando no boca a boca de vizinhos.

    Durante a noite, muitas famílias aqui da rua se juntaram para ficar conversando, comendo ou bebendo o que tinham na geladeira, para passar o tempo. Alguns ficaram sentados na rua com caixa de som, mas a escuridão, quando chega à noite de verdade, é total. Não dá nem para ver mais de cinco metros na frente, não tem nada de luz ao não ser lanterna ou celular.

    Essa já é a segunda queda geral do Sistema Elétrico Nacional em duas semanas.

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    É bem curioso o senso de coletividade quando acontece o apagão. Ninguém quer ficar sozinho no escuro, então as pessoas se juntam para passar o tempo juntas. Ontem aqui na casa em que estou hospedado tinha idoso, criança, cachorro, música…

    Os cortes estão aumentando de duração também, principalmente nas cidades mais afastadas. O último, no início da semana, durou quase 24 horas.

    Desde 9 de janeiro não entrou nenhum navio petroleiro, o que está piorando tudo — e vale lembrar que as termelétricas são totalmente velhas, reaquisições da era soviética.

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    Até quem tem gerador em casa está sofrendo, porque está impossível comprar combustível para usar. As filas são gigantes, há limites e o preço no mercado negro também está proibitivo (custando 7 dólares o litro de gasolina, por exemplo).

    Importante ressaltar que, quando cai a luz, como as torres ficam sem energia, normalmente caem também os sinais de telefone e internet. A comunicação fica inviável.

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