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No Quênia, um simples absorvente pode mudar a vida de uma mulher

Para as quenianas, o momento de se tornar mulher envolve, na maioria dos casos, abandonar a escola

Por Da redação - 4 set 2017, 10h50

Quase um milhão de adolescentes deixam de ir para a escola no Quênia quando estão menstruadas, motivo pelo qual 60% das meninas abandonam a escola antes de terminar ensino médio. A falta de acesso a absorventes e à higiene pessoal ajudam a piorar a situação de um tema considerado tabu.

Como em outros lugares do mundo, a passagem das meninas à adolescência é um momento difícil. Mas as inseguranças e preocupações que enfrentam se intensificam em muitos países africanos diante da quase inexistente educação sobre saúde reprodutiva.

Para as quenianas, o momento de se tornar mulher envolve, na maioria dos casos, abandonar a escola e, consequentemente, suas perspectivas de futuro. Elas precisam deixar as aulas porque não têm acesso a banheiros limpos e privados e não podem se limpar adequadamente durante a menstruação.

Além disso, como os absorventes estão fora do alcance de 65% das quenianas pelo seu alto custo, muitas têm que recorrer a outros meios — tecidos, folhas e papel — o que pode provocar infecções e múltiplas inseguranças que as impedem de levar uma vida normal.

Algo tão simples como um absorvente pode transformar uma sociedade inteira, permitindo às meninas seguir a vida com naturalidade, assistindo a aulas junto com o resto dos seus companheiros e sonhar, como eles, em se tornar médicas, engenheiras e professoras.

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A Zana, uma ONG que atua na África, iniciou diferentes programas para melhorar a educação sexual e romper com o tabu da menstruação, que segue cheio de estigmas sociais como a vergonha e a culpa.  Cerca de 30 mil meninas de entre 11 e 14 anos já se beneficiaram do projeto.

Ainda que o objetivo a longo prazo da organização seja a educação sexual e reprodutiva, a distribuição de absorventes gratuitos é o primeiro passo para romper com o tabu sobre a menstruação.

“Mas as doações (de absorventes) não são suficientes”, afirmou a diretora-geral da Zana, Megan Mukuria, que insiste que é necessário mudar a mentalidade da sociedade e introduzir no mercado absorventes de maior qualidade e mais acessíveis que permitam uma solução duradoura.

Sem conhecimento sobre sua saúde reprodutiva, as meninas são mais vulneráveis a doenças, gravidez não planejada, casamentos prematuros forçados e à mutilação genital feminina.

O tema entrou na campanha eleitoral do Quênia, na qual ambos candidatos prometeram distribuir produtos higiênicos gratuitos entre todas as estudantes do país.

(Com EFE)

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