Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

Netanyahu se reúne com Trump em meio a temor de novas ofensivas de Israel

Premiê israelense vai a Mar-a-Lago para discutir cessar-fogo em Gaza sob pressão crescente dos EUA

Por Ernesto Neves 29 dez 2025, 09h27 •
  • O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se reúne nesta segunda-feira (29) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na residência de Mar-a-Lago, na Flórida, em um momento de crescente preocupação internacional com a possibilidade de Israel ampliar operações militares no Oriente Médio. O encontro ocorre enquanto Washington demonstra sinais de impaciência com o impasse no cessar-fogo na Faixa de Gaza.

    Esta é a quinta visita de Netanyahu aos EUA em 2025. No centro das conversas está a trégua em Gaza, firmada em outubro e responsável por interromper uma guerra de dois anos que devastou o território palestino. Embora a primeira fase do acordo tenha sido em grande parte cumprida, a implementação da segunda etapa do plano de paz de 20 pontos proposto pelos EUA enfrenta obstáculos significativos.

    Na fase inicial, Israel reposicionou suas tropas e o Hamas libertou todos os reféns vivos e quase todos os mortos que estavam sob seu poder. Ainda assim, as negociações travaram. Israel resiste a retirar suas forças das áreas que hoje controla, cerca de 53% de Gaza, e impõe restrições à entrada de ajuda humanitária. Já o Hamas evita assumir compromisso explícito de desarmamento e conseguiu restabelecer sua autoridade em partes do território densamente povoadas.

    Pressão americana e desgaste do cessar-fogo

    Segundo o portal Axios, integrantes do alto escalão do governo Trump têm demonstrado frustração com Netanyahu, acusado de minar o cessar-fogo e atrasar o avanço do processo político. Analistas em Israel e no exterior confirmam a leitura de que a paciência americana está se esgotando.

    O custo humano do conflito segue elevado. Mais de 70 mil palestinos, em sua maioria civis, morreram durante a guerra, e quase toda a população de Gaza, cerca de 2,3 milhões de pessoas, foi deslocada. Desde o início do cessar-fogo, ao menos 400 palestinos morreram, enquanto a população enfrenta frio intenso, chuvas e a destruição quase total da infraestrutura básica, segundo dados de agências da ONU.

    Continua após a publicidade

    Risco de escalada regional

    Além de Gaza, há receio de que Israel retome ofensivas contra o Hezbollah, no sul do Líbano, rompendo um cessar-fogo em vigor há mais de um ano, ou amplie confrontos indiretos com o Irã. O governo israelense acusa Teerã de acelerar a produção de mísseis balísticos e de tentar recuperar danos sofridos por seu programa nuclear após confrontos recentes com Israel e os EUA.

    No sábado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país vive uma “guerra em escala total” contra EUA, Israel e Europa, classificando o atual conflito como mais complexo do que a guerra Irã-Iraque, nos anos 1980.

    Netanyahu deve pressionar Trump para manter o aval americano a ações preventivas contra o Irã e garantir a superioridade militar israelense na região. Autoridades em Tel Aviv ficaram alarmadas após Trump afirmar que considera autorizar a venda de caças F-35 à Arábia Saudita, o que poderia reduzir a vantagem tecnológica israelense.

    Continua após a publicidade

    Gaza no pós-guerra e impasse político

    O plano americano prevê que, na fase seguinte, Gaza seja administrada por uma autoridade interina formada por tecnocratas palestinos não alinhados a facções armadas, com apoio de uma força internacional de estabilização. Segundo autoridades dos EUA, a composição desse governo provisório pode ser anunciada em janeiro.

    Também estão na pauta discussões sobre um acordo de segurança entre Israel e Síria, que avançou pouco até agora, e sobre mecanismos mais eficazes para desarmar o Hezbollah, conforme previsto no acordo firmado no Líbano em 2024.

    Pressões internas em Israel

    No plano doméstico, Netanyahu enfrenta eleições em até dez meses. Pesquisas indicam que sua atual coalizão teria dificuldade para se manter no poder, em meio à insatisfação popular com falhas de segurança que antecederam o ataque do Hamas em 2023, isenções ao serviço militar para judeus ultraortodoxos e sucessivos escândalos políticos.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).