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Nepal vai às urnas pela primeira vez após revolta da Geração Z derrubar governo

Pequena nação asiática passou por turbulência política após protestos generalizados contra corrupção e desigualdade

Por Flávio Monteiro 5 mar 2026, 16h41 • Atualizado em 5 mar 2026, 17h35
  • O Nepal foi às urnas nesta quinta-feira, 5, para participar do primeiro processo eleitoral no país desde que a revolta da Geração Z, em setembro passado, derrubou o governo anterior. O pleito marca um momento decisivo para a política nacional, sendo marcado pela disputa entre candidatos oriundos de partidos tradicionais, aqueles que enfureceram a juventude com casos de corrupção e desconexão com a realidade, e novas figuras, que se conectam com o eleitorado de 20 e poucos anos.

    Ao longo do dia, milhões de pessoas foram a escolas, templos e pátios antigos, convertidos em postos de votação, para escolher seus novos representantes. Visando garantir a tranquilidade das eleições, Katmandu disponibilizou mais de 300 mil agentes de segurança, incluindo militares, para guarnecer as 23 mil seções eleitorais espalhadas pelo pequeno país situado entre China e Índia.

    O pleito decidirá quem ocupará as 275 cadeiras do Parlamento Nepalês e conta com três partidos em destaque: o Partido Comunista do Nepal, liderado pelo ex-premiê Sharma Oli, deposto em 2025; o Congresso Nepali, legenda mais antiga do país, liderada por Gagan Thapa; e o favorito Partido Rastriya Swatantra (RSP), fundado há três anos e cujo rosto é o ex-rapper Balen Shah.

    + A revolta Z: como eclodiu a crise generalizada provocada pela juventude do Nepal

    Em entrevista recente à emissora britânica BBC, Thapa afirmou que seu partido está ouvindo os eleitores da Geração Z, cansados de “alianças profanas” e da “governança ruim”. Oli, por sua vez, defendeu em conversa com a agência de notícias Reuters que a eleição irá “restabelecer a democracia no país” e controlar a “anarquia política, a ilegalidade e a violência”. O favorito para o cargo de primeiro-ministro, Shah, não quis falar com a imprensa.

    A votação foi encerrada às 17h locais (cerca de 8h15 em Brasília), mas os resultados só serão divulgados daqui a uma semana, uma vez que o terreno montanhoso do país dificulta o transporte das cédulas, que são contabilizadas manualmente. No total, 60% dos eleitores, aproximadamente 19 milhões de pessoas, compareceram às urnas, pouco abaixo dos 61% registrados em 2022.

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    O processo eleitoral nepalês funciona em uma mescla de sistema majoritário e proporcional: entre as 275 cadeiras do Parlamento, 165 delas serão eleitas por maioria simples (ou seja, aquele que obtiver mais votos se torna um legislador), enquanto as outras 110 são selecionadas considerando a parcela de votos destinados a cada partido. De acordo com a Comissão Eleitoral, os resultados de maioria simples devem ser divulgados dentro de 24 horas após o início da contagem.

    + Como ostentação dos ‘nepo kids’ nas redes sociais alimentou protestos no Nepal

    Marcado pela desigualdade econômica e corrupção endêmica, o Nepal foi palco de violentos protestos em setembro de 2025, após Oli anunciar a proibição de 26 redes sociais no país. A medida foi vista como censura por muitos — notadamente pelos jovens —, uma vez que ocorreu em meio a uma enxurrada de críticas à vida de luxo ostentada pelos governantes e seus filhos, que receberam o apelido de nepo kids.

    Cerca de 77 pessoas morreram durante a revolta, incluindo a esposa do ex-premiê Jhanalath Khanal, Rajyalaxmi Chitrakar, que sofreu graves queimaduras após manifestantes incendiarem a residência oficial. Inúmeras casas de políticos e sedes de partidos foram invadidas, assim como a Suprema Corte e o Parlamento. De acordo com o Ministério da Energia, Infraestrutura Física, Transporte e Desenvolvimento Humano, os custos relacionados aos danos foram estimados em até US$ 1,5 bilhão.

     

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