Navio sul-coreano sofre ‘explosão e incêndio’ em Ormuz e eleva tensão no mar
Relato vem após Irã atacar petroleiro dos Emirados Árabes, em meio a renovada disputa contra os EUA pelo controle da nevrálgica passagem
Um navio sul-coreano sofreu uma explosão seguida de um incêndio no Estreito de Ormuz nesta segunda-feira, 4, anunciou o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul, em meio a um aumento nas tensões no mar após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dar início a uma operação militar para escoltar embarcações comerciais através da rota marítima.
Desde a ofensiva israelense-americana contra o Irã em 28 de fevereiro, a República Islâmica bloqueia essa via por onde, antes da guerra, passava um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
O Ministério das Relações Exteriores sul-coreano informou que, nesta manhã (por volta das 8h40 de Brasília), “ocorreu uma explosão e um incêndio em uma embarcação operada por uma empresa de navegação sul-coreana ancorada em águas próximas aos Emirados Árabes Unidos, dentro do Estreito de Ormuz”, acrescentando que “não houve vítimas até o momento”.
A declaração veio pouco depois dos Emirados Árabes acusarem Teerã de atacar com drones um petroleiro da empresa nacional ADNOC, que tentava atravessar o estreito. Segundo o governo, a embarcação estava vazia e por isso nenhuma pessoa ficou ferida.
“Os Emirados Árabes Unidos enfatizam a necessidade de o Irã interromper esses ataques, garantir seu pleno compromisso com a cessação imediata de todas as hostilidades e a reabertura completa e incondicional do Estreito de Ormuz”, disse o ministério das Relações Exteriores emirati. “Apontar contra a navegação comercial e utilizar o estreito como meio de coerção econômica ou de chantagem constitui um ato de pirataria por parte do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica”, acrescentou a pasta.
Tensão no mar
Ao longo desta manhã, os Estados Unidos e o Irã abriram uma guerra de versões sobre o status da navegação em Ormuz. De acordo com o Exército americano, seus destróieres entraram no Golfo como parte de uma missão destinada a escoltar navios mercantes pelo estreito, garantindo com segurança a passagem de duas embarcações comerciais.
Os navios militares “estão operando atualmente no Golfo Pérsico, após atravessarem o Estreito de Ormuz em apoio ao Projeto Liberdade”, afirmou o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) na rede social X (ex-Twitter), em referência à operação de escolta anunciada por Trump no domingo 3.
Já a TV estatal iraniana informou que a Marinha iraniana disparou mísseis de cruzeiro, foguetes e drones de combate perto dos destróieres — tiros de advertência que teriam feito os navios de guerra americanos recuarem com sucesso. Mais cedo, a agência de notícias iraniana Fars havia reportado que uma fragata dos Estados Unidos foi atacada com dois mísseis no Estreito de Ormuz (algo que o Centcom prontamente negou.
Nas primeiras horas desta manhã, o comando militar do Irã advertiu que o Exército dos Estados Unidos seria atacado se entrasse no Estreito de Ormuz, depois de Trump anunciar que Washington começaria a escoltar navios através da estratégica via marítima. Em meio às tensões, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano acusou o americano de dificultar o processo diplomático para encerrar a guerra.







