Navio russo leva mais de 700 mil barris de petróleo a Cuba, apesar de sanções dos EUA
Embarcação Anatoly Kolodkin deixou o porto russo de Primorsk no início do mês e deve chegar à ilha em 23 de março
Um navio russo carregado com centenas de milhares de barris de petróleo bruto está a caminho de Cuba nesta quinta-feira, 19, em meio à crise econômica e humanitária agravada pelo bloqueio à importação do combustível imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com dados de monitoramento marítimo da empresa Kpler, a embarcação Anatoly Kolodkin deixou o porto de Primorsk, na Rússia, em 8 de março com cerca de 730 mil barris de petróleo e segue pelo Atlântico com previsão de chegada ao porto de Matanzas, no norte da ilha, por volta de 23 de março.
O navio russo está sob sanções dos Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido, o que aumenta as tensões em torno da operação.
Além do carregamento de petróleo bruto, outro navio, o Sea Horse, com bandeira de Hong Kong, transporta cerca de 200 mil barris de diesel com destino à ilha. Na quarta-feira, a embarcação estava no noroeste do Caribe, a cerca de 1.500 km da costa cubana, segundo dados da Kpler.
Crise energética
O envio das embarcações ocorre enquanto a ilha enfrenta apagões frequentes e escassez de combustível, cenário agravado após a interrupção das exportações de petróleo da Venezuela. Trump intensificou a pressão sobre Havana nas últimas semanas, ao ameaçar impor sanções a países que comercializem petróleo com o governo cubano e declarar que a ilha não receberia “mais petróleo ou dinheiro”.
No início do mês, o republicano disse que que Cuba “vai cair muito em breve”; no início deste ano, o instou Havana a “chegar a um acordo” ou enfrentar as consequências; também falou em uma “tomada amistosa” da ilha. “Eles não têm dinheiro, não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez vejamos uma tomada amistosa de Cuba”, declarou.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou na terça-feira 17 que qualquer tentativa americana de tomar o país enfrentaria uma “resistência inabalável”. Antes disso, ele havia confirmado que seu governo abriu diálogo com representantes dos Estados Unidos, para “identificar os problemas bilaterais que precisam de solução”.
A maior parte dos 10 milhões de habitantes da ilha ficou sem energia na segunda-feira, quando o primeiro colapso da rede elétrica em todo o país obrigou-os a cozinhar com gás, à luz de tochas e velas.
O governo reduziu o horário de aulas em escolas e adiou eventos esportivos, enquanto o lixo se acumula em alguns bairros devido à falta de combustível para os caminhões de coleta. Na tarde de terça, a energia havia voltado para cerca de 55% dos clientes na capital, Havana, e em algumas localidades nas regiões oeste e centro-leste do país.





