‘Não há vencedores’, alerta Xi Jinping sobre riscos de guerra comercial com EUA
Em discurso a líderes financeiros, presidente chinês condenou políticas protecionistas em meio a crescentes tensões com Washington

O presidente da China, Xi Jinping, reforçou nesta terça-feira, 10, sua oposição a políticas protecionistas, destacando que a interdependência econômica é essencial para a estabilidade global. Durante um encontro com representantes de instituições financeiras como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, Xi alertou para os impactos de uma possível escalada na guerra comercial entre China e Estados Unidos. “Não há vencedores”, afirmou.
O discurso ocorre um dia após a China iniciar uma investigação antitruste sobre a gigante americana de semicondutores Nvidia. A medida, vista como uma retaliação direta às políticas restritivas dos EUA, intensifica as tensões entre as duas maiores economias do mundo.
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Em discurso nesta terça-feira, Xi criticou práticas que fragmentam as cadeias globais de produção e restringem o comércio de tecnologias críticas. “Construir ‘pequenos pátios com muros altos’ não beneficia ninguém”, disse, referindo-se à estratégia americana de limitar exportações de alto valor estratégico para a China.
A expressão foi originalmente usada por Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, para descrever uma política que restringe o comércio de produtos sensíveis, como semicondutores, enquanto mantém outros fluxos comerciais intactos.
Além das tensões comerciais, a economia chinesa enfrenta desafios significativos em seu setor de exportações. Dados divulgados nesta terça apontaram uma queda tanto nas exportações quanto nas importações no mês passado. Em novembro, as exportações cresceram apenas 6,7%, abaixo da previsão de 8,5% feita por economistas consultados pela Reuters e muito distante do aumento de 12,7% registrado em outubro.
Restrições e retaliações
Recentemente, o governo Biden anunciou novas restrições à exportação de tecnologias avançadas para a China, endurecendo as políticas iniciadas na era Trump. O presidente eleito disse no mês passado que a China enfrentará tarifas mais altas sobre seus produtos, 10% acima de quaisquer tarifas existentes, até que impeça o fluxo de drogas ilegais para os EUA.
Em resposta, Pequim tem ajustado suas políticas econômicas. Durante uma reunião do Politburo do Partido Comunista, foi anunciada uma flexibilização da política monetária em 2025, a primeira mudança significativa nesse sentido desde 2010. A medida visa preparar a economia chinesa para “choques externos”, como a queda acentuada nas exportações e importações registrada em novembro.
Na semana passada, Pequim proibiu exportações para os Estados Unidos de gálio, germânio e antimônio, minerais essenciais que têm potenciais aplicações militares. A medida veio um dia após Washington impor uma nova rodada de restrições ao setor chinês de semicondutores – a nova medida proíbe exportações americanas para 140 empresas chinesas, incluindo a fabricante de equipamentos para microchips Naura Technology Group.