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‘Não há chance de guerra prolongada contra o Irã’, diz vice-presidente dos EUA

JD Vance comentou sobre o impasse no Oriente Médio e apontou que o futuro da região depende do que Teerã diz e faz

Por Flávio Monteiro 27 fev 2026, 10h51 • Atualizado em 27 fev 2026, 11h23
  • O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que “não há chance” de Washington entrar em uma guerra prolongada contra o Irã. A declaração foi dada nesta sexta-feira, 27, ao jornal americano The Washington Post, e vem à tona em meio às negociações sobre o futuro do programa nuclear iraniano. Embora tenha admitido a possibilidade de ataque para “garantir que Teerã não tenha uma arma nuclear”, o republicano afastou qualquer possibilidade de um conflito que se arraste por anos.

    Retornando a Washington após um evento em Wisconsin a bordo do Air Force Two, Vance disse não saber qual será a decisão do presidente Donald Trump em relação ao Irã, mas apontou que uma nova rodada de ataques — que oficiais militares sugerem que pode ser mais abrangente do que os bombardeios de junho — não se transformaria em um esforço de longo prazo. “A ideia de que vamos estar em uma guerra no Oriente Médio por anos sem fim à vista — não há chance disso acontecer”, afirmou.

    Veterano de 41 anos que serviu nos Fuzileiros Navais durante a Guerra do Iraque, Vance é conhecido por criticar o envolvimento dos Estados Unidos em conflitos desse tipo. Em ocasiões anteriores, o republicano afirmou no plenário do Senado que foi “enganado” quanto às razões que levaram Washington a participar da guerra que culminou na derrubada de Saddam Hussein.

    “Acho que todos preferimos a opção diplomática”, disse Vance, que se descreve como “cético em relação a intervenções estrangeiras”. Ainda assim, o vice-presidente afirma que o futuro da região “depende do que os iranianos fazem e do que eles dizem”, apontando que tanto a força militar quanto as negociações diplomáticas são possibilidades para solucionar a crise.

    Estados Unidos e Irã estão envolvidos em negociações para solucionar o impasse sobre o programa nuclear do país persa. Três rodadas de conversa ocorreram até o momento, com a última sendo realizada na quinta-feira, 26, em Genebra, na Suíça. Nenhuma resolução foi alcançada até o momento, e os mediadores afirmaram que uma nova reunião está agendada para a próxima semana.

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    Ao mesmo tempo em que o campo diplomático encontra dificuldades para avançar, os EUA seguem acumulando poderio bélico ao redor do Irã. Na quarta-feira, 25, Washington enviou uma dúzia de caças F-22 para a região, que já conta com dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros e três embarcações de combate. Trump tem adotado um tom de ameaça contra Teerã, mostrando-se disposto a seguir em frente caso não haja um acerto formal entre os países.

    Para além da questão nuclear, o presidente já admitiu abertamente que tem interesse em derrubar o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e promover uma mudança de regime. Em entrevista a repórteres neste mês, Trump afirmou que isso “seria a melhor coisa que poderia acontecer”. Questionado sobre a posição do mandatário e possíveis semelhanças com a Guerra do Iraque, Vance disse ser preciso “evitar aprender demais as lições do passado”.

    “Só porque um presidente errou em um conflito militar não significa que nunca mais poderemos nos envolver em conflito militar. Temos que ter cuidado com isso, mas acho que o presidente está sendo cuidadoso”, disse o vice-presidente.

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