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‘Não é nossa guerra’: Europa rejeita pedido de Trump para ação militar no Estreito de Ormuz

Presidente dos EUA chegou a sugerir possíveis consequências para a Otan caso aliados não o apoiem na guerra contra o Irã

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 mar 2026, 09h31 • Atualizado em 19 mar 2026, 12h29
  • Países europeus rejeitaram pedidos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para participarem de uma ação militar destinada a reabrir o Estreito de Ormuz, vital rota marítima que o Irã fechou desde o início da guerra no Oriente Médio, fazendo disparar os preços do petróleo mundialmente.

    Trump tem pressionado aliados a contribuir com a segurança da rota e chegou a sugerir possíveis consequências para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em caso de recusa. A postura, no entanto, não convenceu grande parte dos aliados europeus.

    O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o país “não será arrastado para uma guerra mais ampla” contra o Irã, embora mantenha diálogo com aliados sobre formas de garantir a reabertura do estreito.

    Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse a parlamentares alemães que concorda que o Irã não deve representar uma ameaça aos países vizinhos, mas colocou em dúvida a estratégia por trás da ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel.

    “Até hoje, não há um plano convincente de como essa operação poderia ter sucesso. Washington não nos consultou e não disse que a assistência europeia era necessária”, disse Merz. “Teríamos aconselhado contra prosseguir com tal ação da forma como foi feita. Portanto, declaramos que, enquanto a guerra continuar, não participaremos da garantia da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, por exemplo, por meios militares.”

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    O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, também rejeitou a possibilidade de envolvimento, afirmando que “esta não é a nossa guerra”. Posição semelhante tomou a França, cujo presidente Emmanuel Macron disse que “nunca participaria de operações para libertar o estreito” no contexto atual.

    A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, disse que os países do bloco não têm interesse em ampliar sua atuação militar nem em expor tropas no estreito. Segundo ela, os europeus não foram consultados sobre os objetivos da ofensiva liderada pelos Estados Unidos e não veem clareza na estratégia.

    Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou os ataques contra o Irã como imprudentes e ilegais, além de rejeitar as ameaças de Trump de cortar as relações comerciais com a Espanha caso o país europeu não permitisse que bases operadas em conjunto fossem usadas para a guerra.

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    “Certamente não seremos vassalos de ninguém, não toleraremos nenhuma ameaça e defenderemos nossos valores”, disse a vice-primeira-ministra espanhola, Maria Jesus Montero, no início do mês.

    Já o ministro das Relações Exteriores holandês, Tom Berendsen, disse na segunda-feira 16 que, caso a Otan concorde com alguma missão no Golfo Pérsico, elaborar um plano requereria tempo.

    “Essas são decisões importantes, e qualquer ação deve ser viável e impactante. ⁠Neste momento, nenhuma decisão está em cima da mesa”, disse Berendsen em Bruxelas.

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    Trump, por sua vez, classificou na terça-feira a recusa de vários países-membros da Otan em ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz como “um erro muito estúpido”.

    “Todos concordam conosco, mas não querem ajudar. E nós, como os Estados Unidos, precisamos nos lembrar disso, porque achamos bastante chocante”, disse o mandatário a repórteres no Salão Oval da Casa Branca.

    Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã está aberta a negociações com países que desejam acessar a passagem com segurança.

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    Estreito fechado

    Rota fundamental para o comércio global de petróleo, o Estreito de Ormuz foi parcialmente bloqueado pelo Irã como retaliação ao ataque conjunto promovido por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. Com a medida, que aumenta o preço dos combustíveis em todo mundo, Teerã visa forçar a comunidade internacional a exigir o fim dos ataques da coalizão em troca da reabertura do canal.

    “O Estreito de Ormuz não pode voltar a ser o mesmo de antes e retornar às suas condições anteriores, já que não há segurança alguma”, disse o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, responsabilizando a ofensiva de Washington e Tel Aviv pelo cenário atual.

    Aproximadamente 14 milhões de barris passam através da rota localizada no Golfo Pérsico diariamente, e o congestionamento provoca incertezas no valor médio da commodity. O barril Brent, referência internacional do preço do petróleo, chegou a ser negociado acima de US$ 100 devido à obstrução, definida pela Agência Internacional de Energia como a maior interrupção na oferta da história do mercado global.

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