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Mueller: Trump pode ser processado ao deixar cargo de presidente

Em depoimento ao Congresso, ex-procurador afirmou que presidente americano não está isento de crimes de obstrução de Justiça

Por Da Redação - Atualizado em 24 Jul 2019, 16h02 - Publicado em 24 Jul 2019, 12h57

O ex-procurador especial dos Estados Unidos, Robert Mueller, disse nesta quarta-feira, 24, ao testemunhar perante o Comitê de Justiça da Câmara dos Deputados, que sua investigação sobre a interferência russa nas eleições americanas “não isenta” o presidente Donald Trump de uma acusação por obstrução de justiça. Mueller disse ainda que o republicano pode ser processado ao sair do cargo.

Em seu relatório sobre o caso, Mueller escreveu: “Nossa investigação encontrou múltiplas ações feitas pelo presidente que foram capazes de exercer influência indevida sobre as investigações”. Cita ainda diversas ações de Trump que “tentavam limitar o escopo da investigação”.

Ao ser questionado pelo democrata e presidente da comissão, Jerry Nadler, se ele confirmava que os documentos não concluíam que o presidente americano havia cometido obstrução de justiça e, como consequência, o inocentavam, Mueller respondeu que se relatório “não isenta o presidente Trump de obstrução de Justiça”.

Mueller evitou uma pergunta feita pelo republicano Jim Sensenbrenner sobre se a conduta de Trump poderia abrir caminho para um processo de impeachment. Ao responder a outro republicano, porém, o ex-procurador confirmou que o presidente americano pode ser processado ao sair do cargo.

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Mueller confirmou ainda ter descoberto que Trump pediu aos funcionários da Casa Branca que falsificassem documentos ligados à investigação.

Logo no início dos depoimentos, o ex-procurador afirmou que não poderia responder a perguntas relacionadas à origem da investigação nem discutir assuntos que pudessem atrapalhar o andamento dela.

Este é o primeiro questionamento público que ele enfrenta depois da divulgação, em abril, de uma versão editada do seu relatório sobre as investigações.

A apuração conduzida por Mueller averigou a interferência da Rússia nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2016. O ex-procurador também investigou um possível conluio da campanha de Trump com Moscou.

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Em maio, em sua primeira coletiva de imprensa após 22 meses de silêncio, Mueller já havia afirmado que seu relatório não concluía, porém não isentava Trump de obstrução de Justiça. Ele disse que “se tivéssemos a confiança de que o presidente não cometeu um crime, nós teríamos dito isso”.

Na época, contudo, afirmou que acusar formalmente Trump não era uma opção a se considerar, pois não é permitido que o Departamento de Justiça acuse de crime um presidente em exercício. Ainda assim, a Constituição prevê a possibilidade de o Congresso iniciar um processo de impeachment.

Mueller vinha resistindo às convocações de deputados e senadores para depor no Congresso, mas foi intimado oficialmente no final de junho e aceitou comparecer.

Ele deve depor também ao Comitê de Inteligência da Câmara ainda nesta quarta-feira. Os democratas controlam a Câmara, e os colegas republicanos de Trump controlam o Senado.

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