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Mortes superam nascimentos na França pela primeira vez desde Segunda Guerra Mundial

Dados acendem novo alerta para crise demográfica, que deve pressionar a economia francesa e de outros países ricos nos próximos anos

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jan 2026, 11h57 • Atualizado em 13 jan 2026, 12h25
  • O Instituto Nacional de Estatística da França, o Insee, divulgou um relatório nesta terça-feira, 13, indicando que o país registrou mais óbitos do que nascimentos pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Os dados devem ampliar os debates sobre a queda da natalidade, problema que afeta nações diversas, em especial as mais desenvolvidas, e coloca em risco a economia.

    De acordo com o Insee, em 1º de janeiro de 2026, 69,1 milhões de pessoas viviam na França, um aumento de 0,25% em relação ao ano anterior. Mas o incremento se deve apenas à migração (+176.000 pessoas), segundo a entidade. Já o crescimento natural ou vegetativo, que corresponde à diferença entre nascimentos e óbitos, foi negativo: -6.000.

    “O que surpreende é até que ponto, em poucos anos, o crescimento natural diminuiu devido à rápida queda dos nascimentos”, destacou Sylvie Le Minez, chefe da unidade de estudos demográficos e sociais do Insee, em coletiva de imprensa.

    Cerca de 645 mil bebês nasceram em 2025, 2,1% a menos que no ano anterior, o que corresponde ao menor número desde o fim da Segunda Guerra Mundial pelo quarto ano consecutivo. A queda é mais acentuada em relação a 2010: menos 24%. Paralelamente, 651 mil pessoas faleceram, alta de 1,5% em relação a 2024 devido principalmente à epidemia de gripe de inverno, segundo o Insee. Também se deve à chegada da chamada geração “baby boomer” à idade de risco – embora a expectativa de vida tenha atingido níveis recordes (85,9 anos para as mulheres e 80,3 para os homens). A proporção de pessoas com 65 anos ou mais subiu para 22% da população, quase igualando a de pessoas com menos de 20 anos e colocando pressão sobre o sistema de seguridade social.

    Risco para a economia

    A preocupação com os nascimentos paira há anos sobre o país. Em 2024, o presidente Emmanuel Macron defendeu um “reforço demográfico”, baseado em impulsionar a natalidade melhorando a licença parental e combatendo a infertilidade, enquanto avançou com uma polêmica reforma previdenciária para adiar a idade de aposentadoria e, assim, reduzir gastos galopantes com pensões (um projeto que foi adiado pela Assembleia Nacional e só deve entrar em vigor depois de 2027).

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    A mudança demográfica deve fazer com que os gastos públicos voltem aos níveis da época da pandemia nos próximos anos, ao mesmo tempo em que pode corroer a base tributária, alertou o Gabinete Nacional de Auditoria Pública no mês passado.

    “Dada a aposentadoria das grandes gerações nascidas na década de 1960, é provável que as tensões no mercado de trabalho e os problemas da força de trabalho aumentem rapidamente nos próximos anos”, disse à agência de notícias Reuters o economista Philippe Crevel, do think tank Cercle d’Epargne.

    Segundo demógrafos, a redução no número de filhos está conectada à (bem-vinda) inclusão das mulheres no mercado de trabalho, além de dificuldades como encontrar um trabalho estável, acesso à moradia, incerteza sobre as mudanças climáticas e desafios crescentes em conciliar as vidas profissional e familiar.

    Em 2023, a França era o segundo país da União Europeia com a maior taxa de fecundidade, de 1,66 filho por mulher, atrás apenas da Bulgária (1,81), segundo dados do Escritório Europeu de Estatística Eurostat. Em 2025, o Insee fixou esse índice em 1,56 filho por mulher na França, confirmando a tendência de queda desde 2010, quando se situava em 2,02 — na época, ainda dentro da chamada “taxa de reposição”, no limite que mantém a população estável.

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