Expoente da Escola de Frankfurt, filósofo alemão Jürgen Habermas morre aos 96
Expoente da comunicação, estudou a democracia como linha mestre de seu pensamento
Morreu neste sábado, 14, Jürgen Habermas, um dos principais pensadores do século XX e expoente da Escola de Frankfurt. O filósofo e sociólogo alemão tinha 96 anos e faleceu em sua residência em Starnberg, perto de Munique, na Alemanha. A morte foi informada pela editora Suhrkamp.
Entre as principais contribuições de Habermas para o campo da filosofia estão avaliações do que ficou conhecida como a segunda geração da Escola de Frankfurt, formada por filósofos e cientistas a partir dos anos de 1920, e da Teoria Crítica. Para o alemão, nascido em Düsseldorf, a democracia deveria ser tratada como tema existencial da modernidade e era o fio condutor de seus estudos, segundo os quais se digladiam entre si o ‘mundo da vida’ e, com forte viés no utilitarismo, a colonização deste mesmo mundo da vida pelas superpotências. A juventude vivida nos anos de ascensão do nazismo na Alemanha o catapultou para a Escola de Frankfurt, onde teria Theodor Adorno como mestre.
Influenciado pela partilha da Europa no pós-guerra, Habermas criticava a sujeição da vida a partir do que chamava de razão instrumental, onde a busca por proveitos próprios suplantava tentativas de consenso. Para ele, apenas a linguagem e o diálogo possibilitavam a verdadeira ação social.
“A consciência das elites políticas no Ocidente está cada vez mais sendo dominada pela lógica da guerra”, escreveu ele no livro ‘Es musste etwas besser werden…’, de 2024, quando a guerra da Rússia contra a Ucrânia completou um ano e o filósofo atribuía ao Ocidente papel relevante na perpetuação do conflito.
Decano do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes disse nas redes sociais que Habermas “moldou gerações de juristas e filósofos”. “Em um momento em que, infelizmente, certas lideranças voltam a privilegiar o uso da força em detrimento das mesas de negociação, e em que até mesmo aliados históricos passam a ser tratados como inimigos, sua ausência será profundamente sentida por todos os que reconhecem no diálogo racional e na primazia dos bons argumentos pilares estruturantes da vida democrática”, escreveu. Indicado pelo presidente Lula para uma vaga no Supremo, o advogado-geral da União Jorge Messias, por sua vez, disse que Habermas foi “um dos maiores pensadores do direito do nosso tempo”. “Sua obra influenciou nações e Constituições em todo o mundo ao iluminar o debate sobre democracia participativa, legitimidade política e direitos humanos. A partida de Habermas, em um momento em que o mundo ainda sangra com guerras e retrocessos, é um chamado para que suas ideias continuem a inspirar o repúdio à violência e a fortalecer a convivência harmoniosa entre os povos”, completou.






