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Minneapolis anuncia saída de ‘alguns’ agentes do ICE após Trump moderar discurso

Após mortes em protestos contra o ICE, presidente dos EUA tenta baixar a temperatura mas não dá sinais de que vai mudar política anti-imigração

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jan 2026, 09h07 • Atualizado em 27 jan 2026, 09h41
  • O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, informou nesta terça-feira, 27, que “alguns” agentes do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, vão deixar a região. O anúncio veio um dia após o presidente Donald Trump telefonar a Frey e ao governador de Minnesota, estado onde fica a cidade, e moderar o tom até então inflamatório — em aparente resposta à indignação nacional causada pelas mortes de dois manifestantes contra as operações da agência federal.

    Frey foi às redes sociais para dizer que “alguns agentes federais” deixarão a cidade, embora não tenha especificado quantos. O governo federal mobilizou 3 mil membros do ICE para a “Operação Metro Surge”, que, segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), prendeu 3.400 pessoas nas últimas seis semanas.

    “Continuarei pressionando para que os demais envolvidos nesta operação deixem a cidade”, disse o prefeito, acrescentando que também conversou com Trump na véspera: “O presidente concordou que a situação atual não pode continuar”.

    Temperatura baixou

    Na segunda-feira, Trump suavizou sua posição em relação à tensa situação em Minnesota, afirmando que não quer que pessoas “se machuquem ou morram” durante os protestos em resposta às operações de sua administração contra imigrantes sem documentos, embora tenha pedido o fim da “resistência e do caos”.

    Após as mortes de dois cidadãos americanos nas ruas de Minneapolis em menos de três semanas, o magnata republicano anunciou em sua rede, a Truth Social, que conversou por telefone com o governador de Minnesota, Tim Walz, e com o prefeito Frey, e prometeu diálogo.

    “Foi uma ligação muito positiva e parece mesmo que estamos em sintonia”, disse ele, referindo-se a Walz.

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    Trump também anunciou o envio de seu “czar da imigração”, Tom Homan, ao estado do norte, incumbindo-o de informá-lo pessoalmente sobre a situação. A mídia local havia noticiado que ele substituiria Gregory Bovino no comando das operações em Minneapolis e que o chefe do CBP, a polícia de fronteira, deixaria a cidade, mas o governo negou essas informações.

    Mortes em protestos

    No sábado 24, Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos, foi baleado e morto à queima-roupa por agentes de imigração enquanto protestava em Minneapolis. Inicialmente, funcionários de alto escalão da administração Trump o haviam classificado como um “terrorista doméstico”, mas diversos vídeos que documentaram o incidente e circulam amplamente nas redes contestam a versão da Casa Branca de que o ICE teria reagido contra o manifestante em autodefesa. Em um comunicado, seus pais acusaram o governo de espalhar “mentiras repugnantes” sobre seu filho.

    Trump moderou o tom após uma nova onda de protestos provocada pelo assassinato de Pretti, bem como críticas contumazes dos ex-presidentes Bill Clinton e Barack Obama e, cada vez mais, de dentro do próprio Partido Republicano. Na segunda-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, deixou as acusações contra Pretti de lado e expressou suas condolências pela morte do enfermeiro.

    Esta foi a segunda morte de um americano nas mãos do ICE em Minneapolis. Em 7 de janeiro, Renee Good, 37 anos, mãe de três filhos, ativista e poetisa, também foi baleada por um agente federal e perdeu a vida.

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    A indignação com esses eventos chegou até mesmo ao lado republicano. Na segunda-feira, Chris Madel, um dos advogados que representou o agente do ICE envolvido na morte de Renee, anunciou sua desistência da candidatura pelo partido de Trump ao governo de Minnesota.

    “Não posso apoiar as represálias lançadas por republicanos em todo o país contra os cidadãos do nosso estado, nem posso me considerar membro de um partido que o faria”, enfatizou o advogado conhecido por defender as forças de ordem.

    Segundo a imprensa americana, uma juíza federal prometeu tomar uma decisão rápida sobre o pedido do procurador-geral de Minnesota para suspender a operação anti-imigração no estado. Em paralelo, membros democratas do Congresso ameaçam bloquear o financiamento do governo caso as agências federais de imigração não sejam reformadas.

    “Mentiras”

    Em Minneapolis, os moradores continuam prestando homenagem a Pretti em um memorial improvisado.

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    “É aterrorizante e profundamente desprezível poder executar alguém a sangue frio na rua e depois difamá-lo e mentir sobre o que aconteceu”, disse Stephen McLaughlin, um aposentado de 68 anos, à agência de notícias AFP dois dias após o incidente.

    Assim como no caso de Renee Good, o governo culpou o enfermeiro, criticando-o por portar uma arma no protesto. Segundo as autoridades locais, ele tinha permissão para portar a pistola.

    Análises dos vídeos feitas por agências internacionais e pela mídia americana contradizem a versão oficial que o retrata como uma ameaça.

    Nos vídeos mais nítidos, Pretti, que também estava filmando a cena, guarda o celular para socorrer uma mulher que havia sido empurrada por um policial. Escorregando no gelo, ela lutava para se levantar. Momentos depois, o homem é atingido por spray de pimenta, derrubado na rua e imobilizado por vários agentes.

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    Pelo menos cinco policiais o cercam enquanto ele estava deitado. É possível ver um deles retirando a pistola semiautomática (Pretti tinha porte legal, e não tinha sacado a arma no desenrolar dos acontecimentos) do coldre na parte de trás de sua calça. Quase simultaneamente, outro agente de imigração saca sua arma e, com Pretti desarmado, parece atirar à queima-roupa. Em seguida, ouve-se uma saraivada de tiros. No total, foram dez disparos. Por fim, o corpo do enfermeiro fica completamente imóvel.

    Outro vídeo, gravado momentos depois de Pretti ser baleado, mostra os agentes revistando seu corpo em busca da arma. “Onde está a p***a da arma?”, pergunta um deles. Apontando para outro policial, ele questiona: “Você pegou a arma?”, ao que o colega responde que sim, “eu peguei a arma”.

    Duas testemunhas oculares – uma mulher que filmou os disparos a poucos metros de distância e um médico pediatra que assistiu à cena de um apartamento nas proximidades – afirmaram posteriormente, em depoimento às autoridades, que Pretti não estava portando nenhuma arma em nenhum momento. O médico também disse que os agentes federais inicialmente o impediram de prestar socorro e pareciam estar contando os ferimentos a bala em vez de tentar reanimar o enfermeiro.

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