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Ministro britânico vê risco real de um Brexit sem acordo com a UE

Para Jeremy Hunt, opinião pública do Reino Unido culpará União Europeia por fracasso em negociações e poderá provocar ruptura nas relações com o bloco

O ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Hunt, declarou nesta segunda-feira (23) que existe um “risco muito real” de não haver um acordo com a União Europeia (UE) até a data de saída definitiva de seu país do bloco.

O ministro britânico falou sobre a atual situação das negociações entre o Reino Unido e a UE depois de se encontrar em Berlim, na Alemanha, com seu equivalente alemão Heiko Maas. Para Hunt, os britânicos responsabilizarão a UE pela falta de um acordo sobre o  Brexit.

“Meu temor é que, durante uma geração, poderia mudar a atitude da opinião pública britânica sobre a Europa”, opinou. “E conduziria a uma ruptura nas relações das quais cuidamos há tantos anos e que afetaria em grande medida esta grande associação”, acrescentou Hunt.

Maas, por sua vez, estimou que, em primeiro lugar, tanto a UE como o Reino Unido têm que estar de acordo “sobre as normas vinculativas para a saída e para o período posterior”,

“Não queremos um Brexit desordenado, mas queremos um acordo”, disse Maas à imprensa depois de sua reunião com Hunt.

“Apesar do Brexit, continuaremos defendendo os valores e interesses comuns”, disse Maas. Ele acrescentou que foram discutidos outros assuntos na reunião com o britânico, como a situação na Síria e as crescentes pressões contra o livre-comércio.

A visita de Hunt a Berlim acontece no momento em que a primeira-ministra Theresa May convocou seus ministros para uma reunião em Gateshead, no nordeste da Inglaterra, para reforçar a unidade de seu gabinete e promover sua visão de país depois do Brexit, que será executado em 29 de março de 2019.

Antes do encontro de hoje, May enfatizou ser hora de “agir”, pois tanto Londres como Bruxelas sabem que “o relógio está se movendo” na negociação para a saída do Reino Unido da União Europeia.

A líder conservadora defendeu uma proposta “sem precedentes” que contempla a criação de um mercado comum com certa harmonização reguladora entre o bloco e o Reino Unido, além de uma estreita colaboração em segurança, entro outros fatores.

“É um Brexit com princípios e prático que é do interesse mútuo do Reino Unido e da UE, mas que requereria pragmatismo de ambas as partes”, opinou May, depois que o negociador chefe europeu, Michel Barnier, indicou na sexta-feira (20) que há aspectos da iniciativa que ele considera inviáveis.

(Com EFE)