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Militares tomam o controle no Zimbábue e Mugabe é detido

Presidente do país foi confinado em prisão domiciliar junto com a família, mas afirma que “está bem”

Por Da redação Atualizado em 16 nov 2017, 10h26 - Publicado em 15 nov 2017, 10h40

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, conversou por telefone com seu homólogo da África do Sul, Jacob Zuma, e confirmou que é mantido “encarcerado em sua casa”, mas afirmou que “está bem”, segundo informou nesta quarta-feira a emissora de televisão pública sul-africana SABC.

Em comunicado, Zuma anunciou que enviará ao Zimbábue o ministro da Defesa, Nosiviwe Mapisa-Nqakula, e o titular de Segurança, Bongani Bongo, para se reunir com Mugabe e com os comandantes das forças armadas.

A intervenção militar que começou ontem à tarde no país alimentou os rumores de um possível golpe de Estado, embora um porta-voz do exército tenha negado em mensagem televisionada na noite da terça-feira, na qual garantiu que Mugabe e sua família se encontram “a salvo”.

De acordo com o militar, a atuação é contra o establishment político do país, mas não há intenção de depor Mugabe, no poder desde 1987. “Nós queremos deixar muito claro que essa não é uma tomada militar do governo”, afirmou o general Sibusiso Moyo no estúdio, em roupas de combate. “O que as Forças de Defesa do Zimbábue fazem é pacificar uma situação política, social e econômica degenerada em nosso país.”

Analistas políticos dizem que, apesar das declarações dos militares, o tempo de Mugabe no poder está perto do fim. “Pelos rumores, é o fim para Mugabe”, afirmou Derek Matyszak, analista sediado na capital Harare do Institute for Securities Studies. “Eu não sei como ele pode recuar disso.”

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Aliados presos

No meio do dia (hora local), soldados haviam assumido o controle do aeroporto da capital, dos prédios do Parlamento, da televisão estatal e da residência presidencial. Veículos militares bloquearam interseções estratégicas nos distritos central e comercial, enquanto a emissora estatal de rádio tocava apenas canções patrióticas.

Importantes aliados de Mugabe, entre eles o ministros das Finanças, Ignatius Chombo, foram detidos. Chombo e os outros políticos presos fariam parte do grupo conhecido como G40, uma facção do partido governista que, segundo os analistas, procura expulsar aos veteranos da guerra de independência – como o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, destituído na semana passada. Mnangagwa fugiu para a África do Sul e, em comunicado, sustentou: “Em breve controlaremos as molas do poder no nosso belo partido e país”.

Medidas corretivas

A tensão no Zimbábue começou a aumentar na tarde de ontem, quando vários tanques foram vistos em direção a Harare. O movimento militar teve início apenas um dia depois de o chefe das Forças Armadas, Constantine Chiwenga, dizer que poderia tomar “medidas corretivas” em resposta à perspectiva de uma possível dinastia Mugabe. A destituição do vice Mnangagwa foi vista como um passo para Mugabe, de 93 anos, apontar mulher dele, Grace, de 52 anos, como sua sucessora.

A ZANU-PF respondeu afirmando que as palavras de Chiwenga sugeriam uma “conduta de traição” destinada a “incitar a insurreição e ao desafio violento da ordem constitucional”.

(com EFE e Estadão Conteúdo)

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