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Milei compartilha imagem de Brasil como favela e Argentina como paraíso futurístico; veja

Postagem ocorreu um dia após a eleição do ultradireitista José Antonio Kast como presidente do Chile e mostra tabuleiro político da América do Sul

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 dez 2025, 10h21 • Atualizado em 16 dez 2025, 10h50
  • O presidente da Argentina, Javier Milei, publicou nesta segunda-feira, 15, uma imagem que retrata países da América do Sul governados pela esquerda, incluindo o Brasil, como uma favela. As nações governadas pela direita, por sua vez, aparecem como um paraíso futurista. A postagem ocorreu um dia após a eleição do ultradireitista José Antonio Kast como presidente do Chile. O tabuleiro político sul-americano se move em direção à direita. Se antes a esquerda dominava por margem estreitíssima, agora o placar está empatado.

    A ilustração foi divulgada nos stories do Instagram. Na ferramenta, os posts desaparecem em 24 horas — ou seja, ao entrar no perfil do Milei neste momento, a imagem não está mais disponível. Ele também compartilhou desenhos de uma América do Sul dividida: são seis países comandados pela direita e seis liderados pela esquerda. Antes do triunfo de Kast sobre Jeannette Jara, candidata do presidente Gabriel Boric, o cenário era um pouco diferente: sete para os progressistas e cinco para os conservadores.

    Publicação do presidente da Argentina, Javier Milei, no Instagram. 15/12/2025
    Publicação do presidente da Argentina, Javier Milei, no Instagram. 15/12/2025 (Javier Milei/Instagram)

    A alternância ideológica é comum na história moderna. Até meados do século XX, a maioria dos países sul-americanos esteve submetida a ditaduras, incluindo Brasil e Argentina. A guinada à esquerda aconteceria apenas no início dos anos 2000 e ganharia até nome: “onda rosa”, como cunhou o jornalista Larry Rohter, do jornal americano The New York Times, após o êxito do esquerdista Tabaré Vázquez no Uruguai.

    A mudança ocorreu em meio ao boom das commodities por demanda da China, o que beneficiou países exportadores e impulsionou o desenvolvimento econômico, ao mesmo tempo em que crescia o apelo pela redução da desigualdade social. Mas a crise de 2008, resultado de uma bolha imobiliária nos Estados Unidos, e a redução do valor das commodities levariam à ascensão conservadora na América do Sul, marcada pela histórica instabilidade democrática. Veja abaixo como se dividem os países no momento.

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    ESQUERDA (6)

    • Brasil – Luiz Inácio Lula da Silva
    • Colômbia – Gustavo Petro
    • Guiana – Irfaan Ali
    • Suriname – Jennifer Simons
    • Uruguai – Yamandú Orsi
    • Venezuela – Nicolás Maduro

    DIREITA (6)

    • Argentina – Javier Milei
    • Bolívia – Rodrigo Paz
    • Chile – José Kast
    • Equador – Daniel Noboa
    • Paraguai – Santiago Peña
    • Peru – José Neri

    + ‘Bolsonaro chileno’: quem é e o que propõe o presidente eleito Antonio Kast

    Quem é José Kast?

    O novo líder chileno é católico e casado há mais de três décadas com a advogada Maria Pia Adriasola, com quem teve nove filhos. Entrou na política como estudante da Universidade Católica do Chile, tendo votado a favor da permanência do ditador Augusto Pinochet, por quem ainda nutre admiração, no poder. Deputado, tentou concorrer à Presidência pela União Democrática Independente (UDI), de direita, em 2016. Não chegou nem perto, arrematando cerca de 10% dos votos.

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    Após 15 anos, rompeu com a sigla para fundar o ultraconservador Partido Republicano em 2019. O advogado voltou a ser derrotado em 2021, quando foi derrotado por Boric. Entre os fracassos eleitorais, levantou a bandeira contra o aborto e criticou a “ditadura gay”.

    Na disputa contra Jara, manteve o discurso linha-dura e prometeu criminalizar a imigração irregular, expulsar “todos” os indocumentados e construir valas e muros nas divisas, bem como aumentar a taxa de crescimento anual do PIB para 4%. Apesar da linha-dura, espera-se que Kast seja obrigado a ceder frente a um Congresso fragmentado, assim como fez Boric.

    “‘As direitas’, como chamamos aqui, não terão maioria absoluta no Congresso chileno e terão que negociar com os partidos de centro-direita que formavam a coalizão Chile Vamos (base de sustentação do segundo governo de Sebastián Piñera.” disse o ex-senador chileno Ignacio Walker, presidente do Partido Demócrata de Centro (PDC), à Fundação FHC.

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