Megaoperação com 500 agentes prende cabeça do maior cartel do México
Audias Flores era apontado como peça-chave do Cartel Jalisco Nova Geração e sucessor de 'El Mencho'; prisão provocou bloqueios armados em estradas
Uma megaoperação das forças especiais mexicanas nesta terça-feira, 28, resultou na prisão de Audias Flores, conhecido como “El Jardinero” e apontado como um dos principais líderes do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), além de César Alejandro “N”, acusado de atuar como operador financeiro e lavador de dinheiro da organização criminosa.
A captura de Flores ocorreu em El Mirador, a cerca de 20 quilômetros de Puerto Vallarta, no oeste do México, durante uma operação de grande escala liderada pela Marinha mexicana. A ação mobilizou mais de 500 agentes, seis helicópteros e diversas aeronaves, coroando 19 meses de vigilância intensiva.
“A operação foi realizada com precisão cirúrgica, sem que um único tiro fosse disparado”, informou a Marinha em comunicado oficial.
Segundo autoridades de segurança, Flores estava protegido por um robusto aparato de segurança, composto por dezenas de veículos e mais de sessenta homens armados. Apesar da estrutura, foi localizado enquanto tentava se esconder em uma vala de drenagem, após seus escoltas se dispersarem numa tentativa de desviar a atenção das forças de segurança.
Pressão dos EUA
Informações de inteligência fornecidas por autoridades americanas, incluindo vigilância aérea, teriam sido fundamentais para o sucesso da ação. Flores é procurado para extradição pelos Estados Unidos sob acusações de narcotráfico internacional, e sua cabeça foi posta a prêmio por US$ 5 milhões.
A operação ocorre em meio à crescente pressão do presidente Donald Trump para que o México amplie sua ofensiva contra os cartéis, especialmente diante da crise do fentanil, do tráfico de drogas sintéticas e da segurança na fronteira. O republicano já ameaçou adotar medidas militares unilaterais em território mexicano caso considere insuficiente a atuação do governo local contra organizações criminosas.
Comando de cartel
Considerado peça-chave na estrutura do CJNG, Flores controlava vastas áreas estratégicas do corredor do Pacífico mexicano, supervisionando laboratórios de drogas, rotas de contrabando e redes de distribuição para os Estados Unidos.
Após a morte de Nemesio Oseguera, o “El Mencho”, em fevereiro, ele passou a ser visto como um dos principais nomes para assumir maior protagonismo dentro da organização.
Horas após sua prisão, forças mexicanas também anunciaram a captura de César Alejandro “N”, conhecido como “El Güero Conta”, apontado como um dos principais responsáveis pela lavagem de dinheiro e administração financeira das operações de Flores.
Reação dos cartéis
As detenções provocaram resposta rápida de grupos criminosos. No estado de Nayarit, homens armados bloquearam rodovias em retaliação à prisão de Flores.
Em Tamaulipas, na fronteira com o Texas, a prisão de Alexander Benavides, conhecido como “El Metro 9” e suposto integrante do Cartel do Golfo, também desencadeou bloqueios em Reynosa, uma das regiões mais sensíveis para a segurança entre México e Estados Unidos.
Diante da escalada, a embaixada americana no México orientou funcionários do governo Trump a evitarem a área metropolitana de Reynosa e reforçou alertas de segurança para a região.







