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Médico é acusado de contaminar 437 crianças com o vírus HIV no Paquistão

Muzaffar Ghangharo, que tem Aids, foi preso no início do mês; polícia investiga se ele infectou pacientes deliberadamente

Um médico foi preso no Paquistão depois de 437 crianças e 100 adultos terem sido diagnosticados como portadores do vírus HIV. As autoridades suspeitam que o médico contaminou seus pacientes intencionalmente.

Segundo os investigadores, o surto de HIV em Larkana, no sul paquistanês, começou quando Muzaffar Ghangharo, que tem aids, infectou pacientes com o vírus da doença no início de abril. Ele foi detido pela polícia este mês.

Sikandar Memon, líder do programa de controle de aids na província de Sindh, declarou ao jornal britânico The Guardian que pelo menos 16.000 pessoas de Larkana fizeram o teste para detectar uma possível infecção, e 437 crianças e 100 adultos receberam resultados positivos para a presença do vírus. “Seis por cento das crianças infectadas têm menos de 5 anos”, contou Memom.

“Nós sofremos muito no dia em que descobrimos sobre o HIV positivo no exame do nosso filho”, disse Rehmat Bibi, mãe de Ali Raza, de 10 anos, à Associated Press .

Ela disse não ter desconfiado de algo errado quando seu filho ficou febril, em sua casa no distrito negligenciado e poluído de Larkana. O médico denunciado prescreveu um xarope com paracetamol para Raza e afirmou à mãe que não havia motivos para preocupação. Mas Rehmat entrou em pânico depois de notícias sobre outras crianças em vilas vizinhas diagnosticadas como soropositivas depois de sofrer uma febre resistente.

Rehmat levou Raza a um hospital, e os exames ali realizados confirmaram a presença do vírus HIV, causador da aids. Segundo a paquistanesa, foi devastador ver seu filho contaminado com tão pouca idade.

Depois da descoberta, toda a família passou por testes, mas nenhum parente do garoto é portador do vírus. Em escala nacional, o ministério da Saúde do Paquistão registrou mais de 23.000 casos de HIV somente em 2018, em um aumento epidêmico do vírus causado principalmente pelo uso de seringas não esterilizadas.