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Massacre de Liège comove a Bélgica

Bruxelas, 14 dez (EFE).- ‘Todo o país está em choque’, afirmou nesta quarta-feira a ministra de Interior belga, Joëlle Milquet, resumindo o sentimento de uma nação que tenta se recuperar do massacre vivido na terça-feira no centro da cidade de Liège.

Nordine Amrani, de 33 anos e velho conhecido da justiça, semeou a desolação nesta cidade do leste da Bélgica ao abrir fogo de forma indiscriminada em uma praça lotada.

O resultado: cinco pessoas mortas, entre elas o autor dos assassinatos, que se suicidou, e mais de 100 feridos, vários deles ainda em estado grave.

Após a confusão vivida durante toda a terça-feira, quando aconteceram cenas de pânico nas ruas de Liège e se estenderam rumores e informações contraditórias, nesta quarta-feira foram conhecidos novos detalhes do crime.

Amrani soma a sua macabra conta uma nova vítima fatal, pois a Polícia belga encontrou o corpo de uma mulher de 45 anos em sua casa.

A mulher trabalhava como doméstica na casa de um vizinho de Amrani e teria sido assassinada com um tiro antes do massacre na Praça Saint Lambert. O ataque, realizado em hora de grande movimento poderia ter sido planejado.

De acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira na imprensa local, Amrani fez uma transferência de dinheiro a sua companheira no dia anterior ao massacre, incluindo a seguinte mensagem: ‘Te quero, meu amor. Boa sorte!’.

Na terça-feira, o assassino deveria ter se apresentado em uma delegacia de Polícia para responder a uma acusação de agressão sexual.

Ele desfrutava de liberdade condicional desde outubro de 2010, após ter sido condenado a 58 meses de prisão, depois de ser encontrado em posse de 9.500 peças de armas e uma dezena de armas completas, além de 2.800 plantas de maconha. Amrani também tinha antecedentes por roubo com violência e detenção ilegal.

Fanático por armas, Amrani se dirigiu na terça-feira ao centro de Liège carregado de todo um arsenal: várias granadas, um fuzil automático e uma pistola, com os quais abriu fogo de forma indiscriminada de um dos terraços da Praça Saint Lambert, onde acontece o tradicional mercado natalino da cidade, fechado nesses momentos pelo mau tempo.

Entretanto, centenas de pessoas se encontravam no lugar, principalmente estudantes que saíam de seus exames e esperavam nos pontos de ônibus.

De acordo com várias testemunhas, o homem lançou três granadas sobre a praça e esvaziou um carregador com seu fuzil antes de cometer suicídio com um disparo de revólver.

O resultado poderia ter sido ainda pior, pois segundo foi conhecido nesta quarta-feira, Amrani ainda tinha na bolsa que levava mais granadas e munição.

No total, quatro pessoas morreram na Praça Saint Lambert: o agressor, um jovem de 15 anos e outros dois menores que morreram mais tarde em decorrência dos ferimentos, um de 17 anos e um bebê de 17 meses.

Uma mulher de 75 anos que tinha sido dada como morta está viva, mas em estado muito grave, situação na qual também se encontram outros feridos, entre eles um jovem de 20 anos.

Nesta quarta-feira, Liège amanheceu comovida pelo drama, mas tentando recuperar a normalidade pouco a pouco. As marquises atacadas estão cobertas de flores e no centro da cidade é lida a mensagem ‘unidos somos mais fortes’.

O mercado de Natal se prepara para reabrir, depois que a organização do evento afirmou em comunicado que ‘os gestos de vida devem ser mais fortes que os de morte’.

Liège realizará no próximo domingo uma concentração de luto e lembrança das vítimas, e o Governo não descarta decretar um dia de luto nacional.

Bélgica não é alheia aos ataques indiscriminados deste tipo, mas a ministra Joëlle Milquet afirmou que não são mais frequentes que em outros países europeus.

Em 2006, um jovem ultradireitista matou a tiros em Antuérpia uma menina de dois anos e sua babá africana, e causou ferimentos a um imigrante turco, antes de ser detido. E em 2009, um jovem matou a punhaladas duas crianças e uma funcionária de uma creche de Dendermonde (oeste). EFE