Manifestantes vão às ruas de 130 cidades na Venezuela pedir liberdade de presos políticos
Protestos ocorrem dias após anúncio de lei de anistia pelo governo de Delcy Rodríguez
Manifestantes foram às ruas de mais de 130 municípios na Venezuela exigindo a transição para a democracia e a liberdade de todos os presos políticos do país neste domingo, 1º. Os protestos ocorrem dois dias após Caracas anunciar uma lei de anistia a dissidentes.
De acordo com a vencedora do Nobel da Paz de 2025, a líder opositora María Corina Machado, a ação dos manifestantes mostra um país determinado a ser livre.
“Hoje, em mais de 130 municípios da Venezuela, cidadãos saíram para se reunir, exigir a libertação de todos os presos políticos, receber os que foram libertados e acompanhar os parentes que ainda estão em vigília fora das prisões”, afirmou Machado em uma publicação na rede social X, antigo Twitter.
Informações divulgadas pelo jornal venezuelano El Nacional apontam que ativistas e familiares se reuniram em igrejas católicas de 13 estados do país para orar pelos presos políticos. A mobilização foi registrada nas redes sociais pela organização Comando ConVzla, que publicou imagens de moradores protestando e definiu a situação dos detentos como um “sequestro”.
As manifestações ocorrem dois dias após a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, anunciar uma proposta de “lei de anistia” para centenas de presos. Os primeiros presos políticos foram libertados já no domingo, com 30 dissidentes sendo soltos, de acordo com a ONG Foro Penal. Rodríguez também afirmou que o notório centro de detenção El Helicoide seria convertido em um centro de esportes e serviços sociais.
Indicado como um centro de tortura para presos políticos, El Helicoide tem visto uma intensa manifestação de familiares de dissidentes políticos. No domingo, estes entraram no 25º dia de vigília em frente à infame prisão, contando com o apoio de nomes que foram recentemente libertados do cárcere na mesma data, incluindo o ativista de direitos humanos Javier Tarazona.
De acordo com o Foro Penal, mais de 300 presos políticos foram libertados por Caracas nas últimas semanas, e há estimativas de que outros 700 seguem detidos — incluindo nomes de destaque como o advogado Perkis Rocha e o político de oposição Juan Pablo Guanipa, ambos aliados de Machado. Familiares reclamam que as liberações ocorrem em ritmo excessivamente lento e defensores de direitos humanos exigem que as acusações e condenações contra os detentos sejam apagadas.






