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Mali: Coronel é designado líder de governo interino após golpe de Estado

O Conselho de Segurança das Nações Unidas agendou uma reunião fechada nesta quarta-feira, 19, para avaliar uma resposta à crise no país africano

Por Da Redação
19 ago 2020, 16h06

Após o golpe de Estado que derrubou na terça-feira 18 o então presidente do Mali, Ibrahim Keïta, e todo o restante do governo e do Parlamento, o coronel Assimi Goïta foi designado nesta quarta-feira, 19, o presidente do recém-criado Comitê Nacional para a Salvação do Povo (CNSP) para comandar o país africano de forma interina.

A indicação de Goïta e a criação do CNSP foram anunciadas pela manhã em uma transmissão de emissora de televisão estatal ORTM, a mesma cujo sinal foi derrubado durante parte do motim.

Como reportou a emissora de rádio francesa RFI, Goïta era um dos principais militares por trás do golpe, embora estivesse abaixo de outros coronéis, como Malick Diaw e Sadio Camara, considerados pela imprensa internacional os mentores do golpe.

Até então, Goïta comandava as forças especiais do Exército no centro do Mali, uma das regiões mais atingidas no país por ataques de militantes fundamentalistas islâmicos — o terrorismo era uma das principais insatisfações da oposição com o governo de Keïta. “Não gostamos de poder, mas gostamos da estabilidade do país, o que nos permitirá organizar eleições gerais… dentro de um prazo razoável”, disse o coronel-major Ismaël Wagué, porta-voz dos militares responsáveis pelo golpe.

Sem detalhar como será o procedimento para a convocação de novas eleições e nem quais são as intenções do CNSP, a junta prometeu respeitar acordos internacionais assinados pelo Mali.

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A princípio, como informou Wagué nesta quarta, um toque de recolher foi instituído entre 21h da noite e 5h da manhã. As lideranças do golpe também fecharam todas as fronteiras do país por período indeterminado.

Reação internacional

Em resposta ao golpe, o Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou uma reunião fechada nesta quarta para avaliar a situação do Mali. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já condenou oficialmente a ação militar.

“O secretário-geral apela à restauração imediata da ordem constitucional e do Estado de direito no Mali”, afirmou o porta-voz das Nações Unidas, Stephane Dujarric, em um comunicado na terça.

As Nações Unidas investem cerca de 1,2 bilhão de dólares por ano em sua missão de paz no país africano. A União Africana, entidade político-econômica da qual fazem parte praticamente todos os Estados soberanos do continente, suspendeu a filiação do Mali.

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O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que atualmente preside a União Africana, demandou a soltura de todos aqueles detidos durante o golpe, em especial Keïta.

Segundo o perfil oficial da presidência da União Africana, Ramaphosa ainda “apelou aos líderes africanos e à toda a comunidade internacional para rejeitar a mudança inconstitucional de governo liderada pelos militares e a ajudar o povo do Mali a regressar ao regime civil e democrático”.

A França, que tem um passado colonial com o Mali, demonstrou apoio à posição da União Africana. “A França e a União Europeia estão do lado da União Africana para encontrar uma saída da crise do Mali. Paz, estabilidade e democracia são nossas prioridades”, tuitou o presidente francês, Emmanuel Macron, nesta quarta.

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(Com EFE)

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