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Maduro barra entrada de jornalistas argentinos e amplia cerco à imprensa na Venezuela

Três profissionais foram detidos no aeroporto, tiveram os passaportes retidos e acabaram deportados para a Bolívia

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 dez 2025, 16h42 • Atualizado em 10 dez 2025, 17h32
  • A polícia migratória da Venezuela impediu, na madrugada desta quarta-feira, 10, a entrada de uma equipe do canal de notícias argentino C5N em Caracas e deportou os três profissionais logo após o desembarque no aeroporto internacional Simón Bolívar. Eles relataram que foram interrogados, filmados, fotografados e tiveram os passaportes confiscados, sem qualquer explicação oficial, antes de serem enviados para a Bolívia.

    Segundo a emissora, os jornalistas Adrián Salonia, Nicolás Munafó e o cinegrafista Sebastián Solís haviam viajado ao país para produzir reportagens sobre “o cotidiano dos venezuelanos”. “Nunca devolveram nossos passaportes”, afirmou Salonia, que descreveu o episódio como duas horas de tensão, com perguntas sucessivas sobre o roteiro da cobertura, o hotel reservado e até dados do motorista contratado. Após o interrogatório, os três foram levados a uma área isolada do aeroporto e informados de que estavam inadmitidos.

    O caso ocorre meses depois de outro episódio semelhante: o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) denunciou, em agosto, a deportação dos jornalistas mexicanos Israel Navarro e Gerardo Torres, enviados do jornal Milenio. Eles ficaram incomunicáveis por quase 24 horas, tiveram celulares e equipamentos confiscados e foram devolvidos ao México sob o argumento de que “atividades jornalísticas não estão autorizadas” no país.

    A ofensiva contra a imprensa coincide com o aumento das tensões entre Caracas e Washington, após os Estados Unidos afirmarem que estão prontos para usar “todo seu poder” a fim de conter o fluxo de drogas oriundo da região — o que inclui a presença de navios militares próximos às águas venezuelanas.

    Em resposta, o regime de Nicolás Maduro acusou os EUA de ameaçar a segurança regional e violar o Tratado de Tlatelolco. Paralelamente, Washington elevou para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levem à captura de Maduro.

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    Os episódios reforçam o ambiente cada vez mais hostil ao exercício do jornalismo na Venezuela. O Colégio Nacional de Periodistas (CNP) registrou 111 violações à liberdade de imprensa entre janeiro e novembro, incluindo 31 impedimentos de cobertura, 19 detenções arbitrárias e casos de hostilidade, ameaças, censura, fechamento de emissoras e confisco de equipamentos. O relatório aponta que a estratégia do regime busca a “anulação total do jornalismo independente”.

    O Instituto Imprensa e Sociedade Venezuela (IPYS Venezuela) também alertou para a “deterioração sustentada” das condições de trabalho dos repórteres e cobrou investigação sobre agressões e perseguições. Para a organização, “informar segue sendo uma atividade castigada” sob o governo Maduro.

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