Lula confirma encontro com prefeito de Nova York antes da Assembleia Geral da ONU
Reunião foi solicitada por Zohran Mamdani, um dos principais críticos do presidente Donald Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou o encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, na próxima segunda-feira, 21, às vésperas da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. O encontro foi solicitado pelo político americano e será o primeiro entre os dois.
A reunião está prevista para ocorrer na residência do representante brasileiro na ONU, o embaixador Sérgio Danese, onde o petista ficará durante sua passagem pelos Estados Unidos. Nesta quinta-feira, 17, integrantes da equipe de Mamdani visitaram o local para conhecer o espaço. O compromisso é um dos poucos já confirmados na agenda de Lula em Nova York.
Mamdani, integrante da ala mais à esquerda do Partido Democrata e um dos principais críticos do presidente Donald Trump, já havia tentado se reunir com Lula durante a Assembleia Geral de 2025, quando ainda disputava a Prefeitura de Nova York. Na ocasião, porém, os dois não conseguiram conciliar as agendas.
Nascido em Uganda, filho de indianos e naturalizado americano em 2018, Mamdani é o primeiro muçulmano eleito para comandar a prefeitura de Nova York. Ele tem adotado posições contrárias às políticas de Trump em temas como imigração. Sua administração se opõe às detenções e deportações em massa de imigrantes em situação irregular e chegou a auxiliar o Consulado do Brasil em Nova York a encontrar um local de votação para as eleições brasileiras que transmitisse maior sensação de segurança à comunidade imigrante diante de possíveis ações do ICE, a polícia de imigração americana.
Lula também se prepara para abrir, na terça-feira, 22, o debate geral da Assembleia Geral da ONU, seguindo a tradição pela qual o Brasil é o primeiro país a discursar. Trump falará na sequência.
Crise diplomática
A confirmação do encontro ocorre durante uma nova escalada da crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Na terça-feira, presidente norte-americano afirmou que o Brasil “falhou” no combate às organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), que transformaram o país “em um centro de distribuição global de cocaína”.
“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança mundial, e o governo brasileiro precisa, com urgência, adotar medidas enérgicas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se expandam e se fortaleçam”, diz o texto assinado pelo presidente norte-americano.
A decisão contraria a posição do governo brasileiro, que teme interferências americanas no país, incluindo a possibilidade de que a medida seja usada como pretexto para uma possível invasão territorial, como feito em outros países. Foi com essa justificativa, por exemplo, que as Forças Armadas norte-americanas capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro e bombardearam embarcações no Mar do Caribe.







