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Líder opositor do Zimbábue é detido após as eleições

Autoridades locais são acusadas de perseguir, prender e agredir ativistas e membros da oposição de forma arbitrária

As forças de segurança do Zimbábue prenderam o ex-ministro de Finanças Tendai Biti, um dos principais líderes da oposição no país, segundo informaram membros de seu partido nesta quarta-feira 8.

As autoridades locais são acusadas de perseguição por ativistas e membros da oposição por conduzirem severas investigações sobre as manifestações violentas ocorridas após as recentes eleições.

Biti, membro da coalizão Movimento pela Mudança Democrática (MDC), foi detido na fronteira com a Zâmbia e era procurado por suspeita de incitação à violência durante os protestos.

“Tenho informação fidedigna de que foi detido em Chirundu (posto fronteiriço entre a zona norte do Zimbábue e o sul da Zâmbia)”, afirmou Nkululeko Sibanda, porta-voz da formação. “Disse aos nossos seguidores que isto não vai fazê-lo desistir de continuar com a luta”, acrescentou.

Há rumores de que Biti esperava pedir asilo na Zâmbia depois que ele e outros líderes do MDC denunciaram assédio e intimidação por parte das forças de segurança.

Segundo o jornal britânico The Guardian, além de Biti, outros líderes e ativistas do MDC estão sendo perseguidos arbitrariamente pelas forças do governo. Dezenas de pessoas foram presas e agredidas nos últimos dias.

Na terça-feira 7, a polícia confirmou que buscava Biti e outros oito referentes opositores. Eles são acusados de discursar aos militantes da coalizão e incentivar protestos violentos.

Confrontos

Os resultados das eleições presidenciais foram revelados na quinta-feira 2 e outorgaram a vitória no primeiro turno ao presidente e candidato governista Emmerson Mnangagwa, que obteve 50,8% dos votos. Sua vitória se deve, sobretudo, ao apoio majoritário nas zonas rurais.

O MDC, no entanto, acusa as autoridades eleitorais de divulgar resultados ilegítimos e fraudulentos. O líder da legenda, Nelson Chamisa, deve contestar as eleições diante da Justiça. Se não fizer, está previsto que Mnangagwa tomará posse no próximo domingo.

Mesmo antes das eleições, Chamisa já se autoproclamava vencedor e acusava a Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC) de manipular os resultados. As denúncias incentivaram uma série de protestos na capital Harare, que acabaram em violência.

Os episódios mais graves ocorreram na quarta-feira passada (1º), quando centenas manifestantes e soldados do Exército se enfrentaram nas ruas. A atuação dos militares, que utilizaram munição real para dispersar as pessoas, deixou pelo menos sete mortos.

(Com EFE)