Líder mais longevo do mundo está prestes a garantir sexto mandato
Há 43 anos no comando da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, obteve 99% dos votos nas eleições preliminares, mas oposição o acusa de 'fraude total'

Os resultados preliminares das eleições do governo da Guiné Equatorial foram divulgados nesta segunda-feira, 21, e mostraram que o partido no poder obteve mais de 99% dos votos apurados até agora nas eleições presidenciais, legislativas e municipais realizadas no domingo 20.
O país autoritário localizado na África central é dirigido pelo presidente Teodoro Obiang, considerado o chefe de estado mais longevo do mundo, que agora procura estender seus 43 anos no cargo.
“O que você semeia é o que você colhe”, disse Obiang, 80 anos, que obteve mais de 90% dos votos nas eleições realizadas ao longo de cinco mandatos desde que tomou o poder de seu tio, Francisco Macías, em um golpe em 1979. Eles foram os únicos presidentes que o país já teve desde a sua independência da Espanha, em 1968.
Referindo-se ao seu partido, afirmou: “Tenho certeza que a vitória é do Partido Democrático da Guiné Equatorial”.
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Dois candidatos da oposição também concorrem ao cargo Buenaventura Monsuy Asumu, que já participou das últimas cinco eleições, e Andrés Esono Ondo, que concorre pela primeira vez.
A eleição presidencial estava prevista para 2023, mas o governo decidiu juntar as eleições legislativas e municipais com o objetivo de cortar gastos. Mais de 400 mil pessoas se registraram para votar no país de cerca de 1,5 milhão de habitantes.
Os primeiros resultados parciais mostraram que o Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE) de Obiang e sua coalizão receberam 67.012 votos dos 67.196 contados até agora. A contagem continuará nesta segunda-feira, segundo comunicado do governo.
No entanto, as eleições têm sido questionadas pela oposição e por outros países.
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Esono Ondo disse que seu partido contestaria o resultado das eleições no tribunal. “É uma fraude total”, afirmou o candidato à agência de notícias Reuters.
O político também disse que existia uma eleição aparentemente justa ocorrendo na capital da ilha, Malabo, no entanto, seu partido tinha evidências de que autoridades em outros lugares estavam votando em nome dos eleitores, ou forçando-os a votar no partido governista.
Os Estados Unidos e a União Europeia pediram eleições livres e justas e expressaram preocupação com relatos de assédio e intimidação da oposição e de grupos da sociedade civil. O governo da Guiné Equatorial rejeitou as acusações como interferência em seu processo eleitoral.
Há anos, denúncias são feitas por organizações de direitos humanos contra o regime de Obiang, consideram sua ditadura uma das mais duras de toda a África.