Líbano adia eleições por até 2 anos após país ser arrastado para guerra no Oriente Médio
Parlamento decide estender o próprio mandato, que deveria ser renovado em maio, enquanto o país é pego no fogo cruzado de Israel e Hezbollah
O Parlamento do Líbano aprovou nesta segunda-feira, 9, a extensão de seu próprio mandato por mais dois anos em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, adiando as eleições legislativas que estavam previstas para maio.
A decisão foi confirmada em um comunicado divulgado pelo gabinete do presidente do Parlamento, Nabih Berri. Segundo a nota, 76 dos 128 parlamentares votaram a favor da medida.
As últimas eleições parlamentares no Líbano ocorreram em 2022. Mesmo antes da escalada do conflito no Oriente Médio, autoridades já discutiam a possibilidade de estender o mandato do atual parlamento.
O Líbano foi arrastado para a guerra na região depois que a milícia armada Hezbollah, aliada do Irã, bem como do Hamas, lançou mísseis contra Israel na semana passada.
O grupo xiita afirmou que a ação teve como objetivo “vingar” a morte do aiatolá Ali Khamenei, ocorrida durante os ataques aéreos de Israel e dos Estados Unidos há dez dias, que deram início ao conflito que toma contornos cada vez mais amplos e regionais.
Em resposta, Tel Aviv enviou soldados para o sul do Líbano e realizou ataques aéreos contra o país. De acordo com o Exército israelense, o plano é ocupar por tempo indeterminado a região, com objetivo de reduzir ações do Hezbollah, o que encerrou de vez um cessar-fogo firmado no ano passado (e violado diversas vezes parte a parte) para interromper mais de dois anos de hostilidades entre os militares e combatentes xiitas.
O ministro da Saúde libanês, Rakan Rakan Naseredin, anunciou em uma entrevista coletiva no domingo que os bombardeios israelenses no Líbano mataram 394 pessoas em uma semana, incluindo 83 crianças e 42 mulheres.
Naseredin também denunciou ataques contra “equipes médicas e ambulâncias” e informou a morte de nove socorristas em uma semana.
O Ministério de Assuntos Sociais do Líbano, enquanto isso, afirmou no domingo 8 que 517 mil pessoas foram deslocadas desde a retomada do conflito entre Hezbollah e Israel. De acordo com a agência de notícias AFP, bairros inteiros do sul libanês ficaram desertos.





