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Leão XIV faz críticas às políticas de Trump em primeiro grande documento de seu papado

Mais contido que seu antecessor, o papa Francisco, o primeiro americano a liderar a Igreja Católica intensificou apelos para a proteção de imigrantes

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 out 2025, 13h18 • Atualizado em 9 out 2025, 14h10
  • Leão XIV usou o primeiro grande documento de seu papado, divulgado nesta quinta-feira, 9, para tecer críticas veladas às políticas do governo Donald Trump nos Estados Unidos. Primeiro americano a liderar a Igreja Católica, ele fez um apelo urgente para que o mundo ajude os imigrantes, referenciando diretamente e de forma negativa medidas que o ocupante da Casa Branca defende e implementa, como a construção de muros na fronteira.

    O texto de 104 páginas conhecido como uma “exortação apostólica” concentra-se nas necessidades dos pobres do mundo. O pontífice clama por mudanças abrangentes no sistema de mercado global para enfrentar a crescente desigualdade e ajudar as pessoas que vivem de salário em salário. O documento intitulado “Dilexi te” (Eu te amei) começou como um projeto de escrita do antecessor de Leão, o papa Francisco, que não conseguiu publicá-lo antes de sua morte, em abril.

    “Estou feliz em tornar este documento meu – acrescentando algumas reflexões – e publicá-lo no início do meu próprio pontificado”, escreveu ele no início do texto.

    O cardeal Michael Czerny, conselheiro sênior de Francisco e de Leão, enfatizou que, embora o novo documento tenha sido iniciado pelo falecido papa, ele representa as posições de Leão.

    Críticas a políticas de Trump

    Desde que foi eleito em maio para substituir Francisco, Leão demonstrou um estilo muito mais reservado do que seu antecessor, que frequentemente criticava o governo Trump. Mas o papa americano vem intensificando a retórica nas últimas semanas, gerando reações acaloradas de proeminentes católicos conservadores.

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    “A Igreja, como uma mãe, acompanha aqueles que caminham”, escreveu o pontífice. “Ela sabe que em cada imigrante rejeitado, é o próprio Cristo que bate à porta da comunidade.”

    Ele continuou: “Onde o mundo vê ameaças, (a Igreja) vê crianças; onde muros são construídos, ela constrói pontes” — uma referência à crítica de Francisco a Trump em 2016, quando chamou o presidente de “não cristão” devido ao plano avançado em seu primeiro mandato para construir um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México.

    Em recente resposta às críticas de Leão, a Casa Branca reiterou que Trump foi eleito com base em suas muitas promessas, incluindo a deportação de “imigrantes ilegais criminosos”.

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    O que o documento fala sobre imigração

    Três capítulos do “Dilexi te” dizem respeito especificamente à situação dos imigrantes no mundo, traçando paralelos com a Bíblia.

    Capítulo 73: Leão descreve Maria, José e o Menino Jesus como imigrantes, afirmando que a experiência da migração acompanha a história do catolicismo. “Abraão parte sem saber para onde vai; Moisés conduz um povo peregrino pelo deserto; Maria e José fogem com o Menino para o Egito. O próprio Cristo, que ‘veio para o que era seu, e os seus não o receberam’ (Jo 1, 11), viveu entre nós como estrangeiro”, Leão escreveu.

    Capítulo 74: descreve o trabalho de santos no cuidado com imigrantes europeus no século XIX, quando uma série de movimentos revolucionários e revoltas levaram mais de 40 milhões de pessoas deixarem a Europa para o Novo Mundo entre 1850 e 1913 Ele destaca São João Batista Scalabrini, que fundou os Missionários de São Carlos para acompanhar os estrangeiros e oferecer assistência nas suas comunidades de destino, e Santa Francisca Xavier Cabrini, a primeira cidadã dos Estados Unidos a ser canonizada, após deixar a Itália e se naturalizar. “O seu coração materno, irrequieto, ia ao encontro deles em todas as partes: nos tugúrios, nos cárceres, nas minas”, escreveu Leão sobre Cabrini.

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    Capítulo 75: discorre sobre o acolhimento de estrangeiros como uma tradição do catolicismo, institucionalizada por meio de centros de acolhimento para refugiados, missões nas fronteiras, e a Caritas Internacional. Recorda também que o papa Francisco defendia a missão da Igreja junto aos migrantes como algo mais amplo. “Trata-se de vermos e de ajudar os outros a verem no migrante e no refugiado não só um problema para lidar, mas um irmão e uma irmã a serem acolhidos, respeitados e amados”, escreveu Leão. “O Evangelho só é crível quando se traduz em gestos de proximidade e de acolhimento; e que em cada migrante rejeitado, é o próprio Cristo que bate às portas da comunidade.”

    Desigualdade

    O papa também escreveu que o número de pessoas vivendo na pobreza “deve pesar constantemente em nossas consciências”.

    “Não faltam teorias que tentam justificar o estado atual das coisas ou explicar que o pensamento econômico exige que esperemos que forças invisíveis do mercado resolvam tudo”, afirmou no documento. “Aos pobres são prometidas apenas algumas ‘gotas’ que escorrem, até que a próxima crise global traga as coisas de volta ao que eram.”

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    O texto sinaliza que Leão compartilha algumas das mesmas prioridades de Francisco, que frequentemente criticou o sistema de mercado global por não se importar com as pessoas mais vulneráveis ​​da sociedade.

    “A ilusão de felicidade derivada de uma vida confortável empurra muitas pessoas para uma visão de vida centrada na acumulação de riqueza e sucesso social a todo custo, mesmo às custas dos outros”, afirmou o documento. “Ou recuperamos nossa dignidade moral e espiritual, ou caímos em uma fossa.”

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