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Le Pen recorre da condenação por desvio de verbas, com candidatura presidencial em risco

Líder da extrema direita francesa foi declarada inelegível por 5 anos após considerada culpada de usar fundos da UE para funções da política doméstica

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jan 2026, 09h59 • Atualizado em 13 jan 2026, 10h17
  • Marine Le Pen, líder da extrema direita francesa, retorna ao tribunal nesta terça-feira, 13, para recorrer da condenação por desvio de verbas públicas, com sua candidatura presidencial para as eleições de 2027 na França em risco. A política busca reverter a decisão de março que a considerou culpada de desvio de fundos do Parlamento Europeu, que a deixou inelegível por cinco anos — além de tê-la condenado a dois anos de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, mais dois anos de pena suspensa e uma multa de 100 mil euros (quase R$ 630 mil).

    “Espero conseguir convencer os juízes da minha inocência”, disse ela a repórteres na segunda-feira, 12. “É um novo tribunal com novos juízes. O caso será reiniciado, por assim dizer.”

    Até ser barrada de concorrer a cargos públicos, seu partido, o Reagrupamento Nacional, vinha liderando as pesquisas de opinião e ela era vista como a favorita para suceder o presidente Emmanuel Macron nas eleições de 2027. Le Pen, 57 anos, denunciou a decisão como “um escândalo democrático” e alegou que o sistema judiciário usou “a bomba atômica” para impedi-la de chegar ao Palácio do Eliseu.

    O julgamento do recurso, que envolve Le Pen e outros 11 réus, deve durar cinco semanas. Um painel de três juízes do tribunal de apelações em Paris deve anunciar seu veredito em seguida, possivelmente antes de junho. Entre os diversos cenários possíveis resultantes do caso estão a absolvição total até uma nova condenação, que pode ou não impedi-la de concorrer em 2027. Ela também corre o risco de aumentar a pena de prisão para 10 anos e a multa, para 1 milhão de euros (R$ 6,27 milhões).

    O caso

    Em março, Le Pen e outros membros de seu partido foram condenados por desviar verbas destinadas a assistentes parlamentares do legislativo da União Europeia para outras funções, um esquema que ela teria liderado entre 2004 e 2016 em violação às regras do bloco. Segundo os juízes, grande parte dos fundos foi para sua própria sigla, então conhecida como Frente Nacional, na política interna francesa.

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    O processo judicial teve origem em um alerta feito em 2015 por Martin Schulz, então presidente do Parlamento Europeu, às autoridades francesas. A sentença definiu que Le Pen estava no centro de um “sistema” criado para desviar fundos do legislativo da UE — inclusive para pagar seu guarda-costas e seu chefe de gabinete. No entanto, ninguém teria embolsado o dinheiro para uso pessoal.

    Todos negaram as acusações, e Le Pen argumentou que o dinheiro foi usado de forma legítima.

    O futuro da extrema direita francesa

    O caso e suas consequências pesam muito sobre o futuro político de Le Pen, após mais de uma década dedicada a tentar integrar a extrema direita ao cenário político francês. Desde que assumiu a liderança do partido de seu falecido pai, Jean-Marie Le Pen, em 2011, ela assumiu a missão de se livrar da reputação de racismo e antissemitismo da legenda, mudando seu nome, expulsando seu pai em 2015 e suavizando tanto a plataforma do partido quanto sua própria imagem pública.

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    Essa estratégia tem dado frutos. O Reagrupamento Nacional é agora o maior grupo político individual na Câmara Baixa do Parlamento francês e construiu uma ampla rede de autoridades eleitas em todo o país.

    Le Pen deixou a liderança do partido em 2021 para se concentrar na corrida presidencial, passando o cargo para Jordan Bardella, agora com 30 anos. Caso seja impedida de concorrer em 2027, seu pupilo é amplamente cotado como sucessor. Sua popularidade cresceu, principalmente entre os eleitores mais jovens, e no fim do ano passado ele liderava as pesquisas de opinião para ocupar a presidência. Segundo o Instituto Odoxa, ele possui 36% de intenção de votos no primeiro turno, e derrubaria os candidatos da esquerda e nomes da centro-direita que compuseram o vasto rol de primeiros-ministros escolhidos e logo caídos ao longo da gestão do presidente Macron.

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